Mostrar mensagens com a etiqueta outras patologias linfáticas ou vasculares. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta outras patologias linfáticas ou vasculares. Mostrar todas as mensagens

Arterite de Takayasu


A Lucrécia transporta uma doença rara: Artrite de Takayasu.  a prevalencia é de 1-9/100 000 (orphanet).

Neste momento a Lucrécia tem um sonho que começa nesta página do FB, mas que vai muito para além do virtual.

Na primeira pessoa o seu testemunho, do sonho falaremos mais tarde: 



O meu T já tem 25 anos!



O meu nome é Lucrécia, tenho 44 anos e nasci em Angola 
Fui mãe aos 16 anos, em cada gestação era um sufoco, as dores eram terríveis, mesmo a caminhar, tinha dores de cabeça e no peito, muito cansaço, tonturas,  muita das vezes precisava mesmo de ajuda de outras pessoas para realizar pequenas tarefas. No entanto, estes sintomas desapareciam consideravelmente logo após o nascimento da criança e conseguia ter uma vida normal. 

Em 2003 tive o meu primeiro desmaio, naquela altura tinha dois empregos e um deles era numa clínica. Um dia ao descer as escadas a correr, para poder atender o pedido de um médico, quando fiz o percurso inverso tive um “apagão”, acordei com os meus colegas a rodearem-me e um médico já com um rx na pronto! Ali, deu-se conta que tinha o pulmão esquerdo cheio de manchas… medicou-me  e de imediato pediu mais exames.

Tinha quatro filhos ao meu cuidado, coloquei o trabalho em primeiro lugar e, na altura, não segui a orientação médica, apenas comprava os medicamentos quando vinha alguma crise. Na minha última gravidez, em 2006, o quadro alterou consideravelmente a partir do quinto mês quase não conseguia mexer-me, foi francamente muito complicado. Após ao nascimento da criança tive mesmo de começar a procurar ajuda médica dentro do meu país, infelizmente sem grandes resultados.
Resolvemos então começar a procurar ajuda em outros países: Cuba, Namíbia, Brasil  fiquei desesperada

Em 2010 resolvi visitar os meus filhos que viviam nos Estados Unidos com o pai e a madrasta, com medo que pudesse acontecer algo mais grave em qualquer altura. A minha ideia era para ficar apenas 2 meses uma vez que tinha prometido ao médico no Brasil que regressaria para poder dar continuidade às pesquisas. Mas infelizmente não foi possível, assim que cheguei aos Estados Unidos o meu quadro piorou com ajuda da esposa e o pai dos meninos começamos a procurar médico. Encontramos ajuda do Dr. Pablo Okhuysen e tantos outros, não mediram esforços para poder ajudar. No início estavam a pensar que tratava-se de uma tuberculose fiz medicação para o efeito durante oito meses. Um ano e três meses depois,  sem grandes resultados, resolvi regressar para o meu país. Num belo dia um amigo que tinha problemas cardiacos visitou-me e falou do seu médico prometendo assim agendar uma consulta. No dia da consulta, ele mesmo foi-me buscar para me levar à Clinica da Sagrada Esperança! 

Fizeram-me vários exames e aperceberam-se que não sentiam o pulso do lado esquerdo, tanto nos membros superiores como inferiores!  Pediu de seguida uma ressonância magnética urgente. E finalmente o resultado esperado para uma luz no fundo do túnel acendeu: uma das artéria subclávia esquerda não se visualizam no exame. Pediu a comparência do marido e aconselhou-me para preparar uma nova viagem desta vez para Lisboa, embora cansada de tanta procura acabei por aceder e em Portugal, logo que descrevi os meus sintomas ao cirurgião vascular que me recebeu, o Dr Pereira Albino, este  perguntou-me de imediato se já havia ouvido falar de "arterite de takayasu"!

Mais exames e um internamento em Lisboa, no Hospital Pulido Valente onde fiquei ainda vários dias para fazer exames e ser avaliada antes da cirurgia. Dias depois da cirurgia obtive alta hospitalar com marcação de consultas externas. Foi apenas nessa altura que me apercebi que tinha uma donça rara com a qual tinha de aprender a viver com ela,

Confesso, o meu mundo havia acabado naquele dia. Porque apesar de já ter uma ideia, devido as pesquisas que entretanto fiz, sentia esperança que podia estar errada.

Neste momento já tenho perdas de memória, muitos distúrbios visuais, ao contacto com luz. As dores aumentam a cada dia que passa. Já começo a ter dificuldade em comer, procuro comida mais pastosa ou liquida.
Sinto-me um pouco melhor com banhos quentes, porque no momento da digestão é um verdadeiro tormento. 

Quero aqui agradecer ao Dr. José Roberto que teve paciência para ouvir a cada palavra dita por mim , Dr. Pereira Albino não mediu esforços para descobrir a patologia e dar-me um diagnóstico, Dra. Rita Marçal que sempre foi uma grande amiga acima de tudo... Amiga grande amiga Dra. Manuela Lourenço Marques e ao Sociólogo Paulo de Carvalho companheiros de luta nunca deixaram para trás no sentido de poder dar a conhecer de mais um caso entre muitos e em especial em Angola aonde o povo tem pouca informação acerca de doenças raras.

Lucrécia Santos 

a mutação do gene KIF11

A KIF11 Kids é uma associação de pais de crianças que nasceram com MLCDS - Microcephaly-Lymphedema-Chorioretinal Dysplasia Syndrome - uma mutação do gene KIF11 (aqui). A visibilidade física  desta mutação pode não aparecer mas também pode-se manifestar, por exemplo, com o aparecimento de microcefalia, coriorretinopatia - cicatriz na parte de trás do olho, linfedema, problemas auditivos, linfangiectasia intestinal  - malformação dos vasos linfáticos intramucosos do intestino delgado - síndrome de Waldmann.

Quando o diagnóstico chega os pais estão sozinhos e são confrontados com o facto de também os médicos não saberem muito sobre os efeitos da mutação do  KIF11. Assim, torna-se muito pertinente a criação da Associação, que já teve uma primeira reunião 2019 e que já prepara uma segunda, desta vez em em Londres. Os pais, aqui associados, estão ao lados dos médicos, dos geneticistas, dos investigadores e em conjunto procuram reflectir e encontrar respostas.

Se conhece alguém com a mutação no KIF11, esta é oportunidade para estarem no encontro de Londres,  uma das oradoras será a Prof. Sahar Mansour. 

Reserve o  dia 26 de setembro 2020, será em Londres (inscreva-se aqui), caso não tenha esta possibilidade contacte  a KIF11 Kids e converse com estes pais. 



imagens do Encontro que aconteceu em julho do 2019, na Alemanha, retiradas do site
"como se fossemos uma grande família"
...seis famílias da Alemanha reuniram -se para se conhecer. 

outros apontamentos:
Microcephaly-Lymphedema-Chorioretinal Dysplasia Syndrome: Two Case Reports

Doenças Raras - números

  • 50% das pessoas afetadas  com Doenças Raras são crianças
  • Há, cerca de, 7 000 patologias raras identificadas
    As doenças raras relacionadas relacionadas com o sistema linfático fazem parte desta lista
  • Nos EUA existem 30 milhões de pessoas
  • Na Europa 30 milhões de pessoas são afectadas
  • Se todas as pessoas com doenças raras vivessem num só país este seria o terceiro de maior população


Petição: 2018 - consciencialização para o linfedema, no Dia Mundial de Saúde

Foi sem dúvida um grande marco o que aconteceu o ano passado, quando o senado americano declarou o dia 6 de março de 2016 o primeiro dia mundial do Linfedema. Mas foi apenas o começo de um percurso que queremos de vitória.




Presentemente está a acontecer uma petição que a Organização Mundial de Saúde faça, em 2018, uma chamada de consciencialização para o linfedema, no Dia Mundial de Saúde.

"O Dia Mundial da Saúde é uma oportunidade única de alertar a sociedade civil para temas-chave na área da saúde que afetam a humanidade e para desenvolver atividades com vista à promoção do bem estar das populações, assim como de promover hábitos de vida saudáveis. Nas escolas portuguesas realizam-se várias atividades escolares para incutir aos alunos a importância da manutenção de um estilo de vida saudável." (daqui)

Na carta que William Repicci, Diretor Executivo, LE & RN, escreve podemos ler:

"No ano passado, trabalhando em estreita colaboração com os apoiantes, a Lymphatic Education & Research Network (LE&RN), lutou-se pelo reconhecimento. há muito devido, do linfedema  e das doenças linfáticas. 

Como resultado o Dia Mundial do Linfedema foi celebrado a nível mundial. Isso é o que é possível, quando libertamos a nossa energia e nos focamos.

Estas são  apenas algumas das celebrações, anúncios e resoluções legislativas a nível mundial, que  reconhecem esta conquista:
  • representantes de mais de 25 países participaram do vídeo de lançamento;
  • o Senado dos Estados Unidos aprovou por unanimidade uma  lei que estabelece o dia 6 de março como o Dia Mundial do Linfedema;
  • a Índia anunciou o WLD (Dia Mundial do Linfedema) numa Conferência da AIIM, em Nova Deli;
  • a América do Sul criou um vídeo com representantes de todos os países afirmando seu apoio e defesa;
  •  o presidente da Associação de Linfedema da Galiza, na Espanha, escreveu: "Não só você estão a trazer uma grande mudança no linfedema para aqueles que vivem nos EUA, mas também uma grande mudança para o mundo.
    Deus abençoe o Dia Mundial do Linfedema!
Agora, unimo-nos em solidariedade com os defensores globais do linfedema para pedir que a Organização Mundial de Saúde (OMS) declare "Linfedema: Consciencialização & Curas" como o foco do Dia Mundial da Saúde 2018. 

O nosso objetivo é fazer do linfedema e das doenças linfáticas uma prioridade global.
O nosso objectivo é envolver os governos einvestigadores de todo o mundo para se dedicarem a encontrar tratamentos e curas avançados.
O nosso objetivo é enfrentar a incrível carga psicossocial daqueles com linfedema que se sentiram marginalizados, não conseguem encontrar tratamento e cuja qualidade de vida foi negativamente transformada por esta doença.

De acordo com esses objetivos, pedimos que a Organização Mundial de Saúde (OMS) declare "Linfedema: consciencialização & Curas" o foco do DIA MUNDIAL DA SAÚDE 2018

Facto: A OMS estima que mais de 150 milhões de pessoas em todo o mundo têm linfedema secundário
Facto: O NIH estima que o linfedema primário poderia afectar 1 em cada 300 nascidos vivos
Facto: A OMS estima que mais de 120 milhões estão infectados com filariose linfática, deixando 40 milhões desfigurados e incapacitados

O Dia Mundial da Saúde da OMS é reconhecido em 7 de abril. Foi estabelecido para ser um apelo à ação para questões de saúde críticas que afetam a população mundial.

A campanha do Dia Mundial da Saúde 2017 é a "Depressão", que teve início em outubro de 2016 e está focada na prevenção e tratamento

Este ano, pedimos que a comunidade doenças linfática assine uma petição pedindo que a OMS faça Dia Mundial da Saúde 2018: "Linfedema: Consciencialização & Curas"

Precisamos da consciencialização para que médicos e terapeutas estejam preparados para tratar todos os que se dirijam a eles com linfedema e doenças linfáticas.

Precisamos de consciência para inspirar as comunidades a nível mundial a abraçar esta como uma causa comum.

Precisamos de consciencializar para encorajar as nossas maiores mentes a se envolverem em investigação e nas nossas instituições para então priorizar o financiamento desta investigação. E então nós precisamos que encontrar uma cura seja uma prioridade global. 

Milagres aguardam se nos dedicarmos a encontrá-los.

O sucesso depende de nós.

O sucesso depende de ti!

Faz com que a tua voz ouvida e assina esta petição.
Atenciosamente,
William Repicci
Diretor Executivo, LE & RN"

ASSINEM A PETIÇÃO AQUI



E o prémio vai para: LYMPHA de Boccardo

42º Congresso Sociedade Europeia de Linfologia

Mulhouse, 13-14 de Maio 2016


No 42º Congresso da Sociedade Europeia de Linfologia estiveram presentes oradores de várias nacionalidades, Europeias e de fora da Europa. Não houve nenhuma novidade estrondosa, mas várias apresentações interessantes e que deixam a vontade de seguir a sua evolução.

Linfedema Primário, os genes em questão...

Na primeira sessão, Epidemiologia, genética, anatomia e fisiopatologia do sistema linfático, falou-se das diferenças estruturais e fisiológicas do sistema linfático em relação aos outros sistemas circulatórios. A Prof. Dra. Etelka Földi salientou o fato de o linfedema puder surgir não só de alterações estruturais(genéticas ou cirúrgicas), como também da sobrecarga do sistema linfático.

O Dr. Mikka Vikkula, do Human Molecular Genetics, do Duve -IIstitute, Bruxelas, apresenta um trabalho em que foram identificadas as mutações responsáveis por 39% dos casos de linfedema primário com história familiar, esta descoberta é muito importante para a compreensão da origem da patologia e futuro desenvolvimento de um tratamento.

Andrzei Szuba, de Varsóvia-Polónia, fala sobre o diagnóstico diferencial do linfedema do membro infererior, e como alguns pacientes surgem em consulta com suspeita de linfedema, mas após uma avaliação minuciosa, incluindo com meios complementares de imagem podem apresentar patologias de outro foro.

Lympha Technique...a esperança no linfedema secundário
           
A  segunda sessão foi aberta pelo Dr. Francesco Boccardo, Genova-Italia, com os resultados de um follow-up de 4 anos de pacientes submetidos à sua nova técnica para a prevenção do linfedema após esvaziamento axilar o inguinal. LYMPHA quer dizer: Lymphatic Microsurgical Preventive Healing Approach ou Abordagem Linfática microcirurgica preventiva curativa, que consiste em multiplas anastemoses veno-linfaticas proximais ao local de esvaziamento.

 Nos pacientes com esvaziamento axilar apenas 3% desenvolveram linfedema, estando associado a um episódio de lifangite. Nos pacientes com esvaziamento inguinal ocorreu 1 caso de edema transitório, que acabou por se resolver, e 1 caso de linfedema definitivo.

Nesta sessão, enfatizou-se também uma técnica de coloração que permite evitar complicações linfáticas noutro tipo de intervenções cirúrgicas, sendo depois fechada por Alexandre Pissas, França, que observou os dados obtidos pelo seu serviço ao longo dos anos, e lançou a questão: será mesmo o esvaziamento axilar culpado do linfedema do braço após cancro de mama? Então porque é que sem esvaziamento axilar continuam a surgir casa de linfedema? E porque é que apenas 10% de 830 pacientes operados no seu serviço nos últimos 30 anos, desenvolveram linfedema?

As hipóteses levantadas estão relacionadas com a técnica cirúrgica utilizada e/ou com complicações linfáticas que danificam as estruturas.

Controvérsias em Linfologia

            Esta sessão foi realmente controversa...tão controversa e com pouco espaço de discussão, que ficamos no mesmo ponto em que partimos em algumas delas.

Em relação aos fármacos venotonicos, apenas quando à insuficiência venosa concomitante, no linfedema e suas complicações não tem aparentemente qualquer efeito.

lipoaspiração: Fazer ou não fazer...

Dr. Häkan Brorson, de Mälmo-Suecia, apresentou um follow-up da redução de volume após lipoaspiração em 146 pacientes com linfedema do membro superior e 56 paciente com linfedema do membro inferior. 
Todos os pacientes tinham um membro muito volumoso, e apesar de aderirem corretamente ao tratamento conservador não conseguiam resultados. Os resultados a longo termo foram satisfatórios, com uma melhoria de mais de 100% no volume ao longo de 20 anos para o membro superior e 10 anos para o membro inferior. Este tipo de intervenção obriga à utilização continua de compressão.

Já o Dr. Assaf Zeltzer, de Bruxelas- Bélgica, debate o impacto da lipoaspiração nos tecidos e a necessidade de utilizar vestes compressivas  dia e noite para manter os resultados obtidos. A sua equipe prefere fazer intervenções de reconstrução (anastemoses e ou transplante de nódulos linfáticos) e fazer lipoaspiração apenas em quadrantes específicos, depois de confirmada a função da reconstrução feita. Assim, permitem ao paciente deixar de utilizar compressão. No entanto, foram demonstrados resultados, mas não follow-ups dos resultados obtidos.

Drenagem linfática manual: abaixo ou acima de 30mmHg

Este foi o painel mais controverso, e no qual ficamos sem resposta...
           Dr.Albert LeDuc defende a necessidade de as manobras exercerem menos de 30mmHg, e Dr. Jean-Paul Belgrado afirma que a pressão exercida vai depender da posição da mão durante a manobra e da profundidade que queremos atingir, que a pressão de oclusão dos coletores foi de 140mmHg, e que a pressão a nível distal deverá ser superior que a nível proximal.

Mas o Elefante na sala foi: qualquer um dos oradores realizou os seus estudos em indivíduos com sistemas linfáticos saudáveis, serão os seus resultados aplicáveis a sistemas linfáticos alterados? Essa resposta fica por responder, apesar de ser possível observar resultados das técnicas em estudos de caso.

Novidades no tratamento físico e medico das patologias linfáticas:

       Neste painel foram abordados temas como:
  • a reabilitação do Axillary Web Syndrome(Leduc, A);
  • malformações linfáticas(síndrome de Cloves)(Vikkula, M)
  • um score para detecção precoce de linfangite para os profissionais da urgência (Maccio,A.)
  • controlo de qualidade no tratamento cirúrgico do linfedema (Brorson,H.)
  • resultados preliminares de um estudo demonstram que quando diagnosticado precocemente (volum linfedema relativo <8%) bastam medidas de auto-cuidado sem necessidade de compressão


Distúrbios linfáticos e malformações em pediatria

Neste painel foram explorados os tratamentos utilizados nas patologias linfáticas presentes ao nascimento ou associados a síndromes que incluem malformações linfáticas.

Novidades no tratamento cirúrgico de distúrbios linfáticos

O painel sobre o tratamento cirúrgico teve a participação da presidente da sociedade internacional de linfologia Dra. Ningfei Liu, que falou da sua experiência em Shanghai com o tratamento do linfedema primário.
Conrrado e Conrradino Campisi (Genova,Italia) falam sobre os métodos utilizados pela sua equipa na fase inicial do linfedema periférico(múltiplas anastemoses venolinfaticas localizadas) e nos estadios mais avançados(lipoaspiração com preservação dos linfáticos) e nos resultados obtidos.

Dr. Ruediger Baumeister (Munique, Alemanha) explica a sua técnica de transplantação de vasos linfáticos, quando a causa do linfedema é obstrução de vasos.

No segundo dia, os dois primeiros paineis foram direcionados para as complicações e casos especiais e Imagiologia. Depois começaram as comunicações livres, que sendo de 10 min sem espaço de discussão, foi difícil acompanhar todas as que achava interessantes, andei a saltitar de sala em sala.

Pontos mais interessantes do que foi possivel assistir:

  • O papel do TDC (tissue dieletric constant) na prevenção e detecção precoce do linfedema pós-mastectomia;
  • O papel das infecções (linfangites/erisipelas) nos resultados das anastemoses venolinfáticas, ficando no ar que brevemente será apresentado um follow-up a comparar o antes  e depois do uso de penincilina profilatica

45 Posters interessantes, com diferentes temas: estudos de caso, novas técnicas, métodos de avaliação e diagnóstico


E para o ano? Para o ano é em St. Petersbourg...

Inês Rodrigues
Fisioterapeuta

Isa-Bella sente-se bem no seu corpo


photo
The Lymhi e Life

Conheci um pouco a história da canadiana Isa-Bella Leclair, através do blog da Alexia e mais tarde tive a oportunidade de trocar alguns mails com ela. O que gostei, deste meu|nosso contacto foi, de imediato,  o seu ar assumido de quem sabe o que tem e que a sua diferença não pode torná-la diferente. E, a prova disto é que nunca se priva de fazer absolutamente nada, inclusivamente, até já participou num concurso de beleza, na região onde vive.

A Isa-Bella tem Parkes Weber syndrome, uma má formação vascular rara, similar ao Klippel–Trénaunay, daí que uma das suas pernas tenha uma volumetria muito superior à outra. Como podemos ver num dos vídeos disponíveis no Daily Mail, a drenagem linfática é, segundo a fisioterapeuta relata, uma excelente ajuda.

A  postura de Isa-Bella é um motivo de inspiração, não só para a sua irmã gémea como para os amigos que têm o privilégio de a conhecerem e, sem dúvida, uma excelente ajuda na divulgação deste sindroma


a noticia no Daily Mail

também pode gostar de ler:


A coragem que o Tiago nos dá

O Tiaguinho, atualmente com 4 anos, depois de uma gestação de 40 semanas, que decorreu com normalidade nasceu de parto normal. Nenhuma anomalia foi detectada nas ecografias.

Mas, logo à nascença percebemos que todo o seu membro esquerdo tinha uma mancha (chamada vinho do Porto), o seu pé esquerdo era diferente, não percebíamos porquê. Só quando tinha pouco mais de um mês é que lhe foi diagnosticado o Síndrome de Klippel Trenaunay. 

Os primeiros meses foram muito complicados para aprendermos a gerir a falta de informação, falta de apoios e falta de respostas a todas as perguntas que tínhamos, sobre o que era a doença, o que podíamos fazer? Que precauções tomar? Como prevenir das complicações da mesma etc. 

Depois de muita pesquisa e com o apoio do pediatra (no particular) e de um grupo de amigos conseguimos ir a Boston (Children´s Boston Hospital). Este foi um passo muito importante, ai explicaram-nos tudo sobre as possíveis complicações e como as prevenir. Tiraram todas as dúvidas e responderam a todas as perguntas (que eram muitas).

Mais tarde, já com a ajuda do Dr. Pereira Albino, é que percebemos que o pé do Tiago era diferente porque também o afetava, em todo o membro esquerdo, um linfedema.

Recentemente demos mais um passo muito importante para o bem estar do Tiago, fomos a Hinterzarten, Clinica Földi (Centro Europeu de Linfologia). Aí o Tiago fez 3 semanas de tratamentos. Estas 3 semanas foram muito importantes porque o volume que o linfedema foi fazendo ao longo dos 4 aninhos de vida do Tiago foi esbatido. A sua perna esquerda ficou com a mesma grossura da direita, e o pé reduziu também bastante o volume. O Tiago ficou muito contente com os resultados, nós então nem se fala.

Na Clínica Földi, aprendi a por as ligaduras e a fazer as massagens (drenagem Linfática Manual). O Tiago viu outras pessoas com o mesmo problema, foi importante para ele.

Encontramos mais um caminho para podermos ajudar o Tiago a melhorar a sua condição, o importante é nunca baixar os braços, e nunca parar de procurar. Pois este, é o exemplo que queremos que ele siga, procurar sempre mais e nunca desistir. Ele é muito forte e tem muita alegria dentro de si. É ai que buscamos nós (familiares) também coragem.

texto de Carminda
mãe do Tiaguinho
19 março 2015

O Tiago tem uma página do FB criada por um grupo de amigos:
https://www.facebook.com/solidariedadecomtiago

Dia-a-dia, de mãos dadas



imagem da internet


O Bullyng é,  frequentemente, um tema abordado nos órgãos de comunicação social. Confesso que estas noticias, deixam-me sempre muito inquieta, chocada, horrorizada. E, apesar de saber que a natureza humana é de contornos retorcidos, maus, tenho sempre uma dificuldade imensa para entender até onde vai a crueldade humana. 

A história de Paulo Simão, não me prendeu pelo fato de ele ser portador de Síndrome de Klippel Trenaunay. A história do Paulo Simão prendeu-me pelo relato que ele faz dos vários ataques de bullyng que foi sofrendo ao longo da vida e de sentir a angustia daquela mãe, cada vez que tinha de o deixar sozinho.

Não me quero alongar muito mais, se o fizesse teria de falar, por exemplo, na falta de soluções que foram encontradas nas escolas que frequentou...

No entanto sugiro, vivamente, que leiam um dos artigos que que foi escrito para assinalar o Dia das Doenças Raras e que tem um titulo tranquilizador: "Olho para mim e vejo um rapaz normal".

O Paulo Simão também tem um espaço na internet onde nos relata a sua vida no hospital e onde podemos ler o relato das acções de bullyng de que foi alvo. 

Um apontamento de

Julga-se de interesse:

Diário da Vida - o blog do Paulo Simão, portador de  Síndrome de Klippel Trenaunay


Nota:
"Dia -a-dia de mãos dadas" 
é o slogan que foi adoptado para, em 2015, assinalar o Dia Mundial das Doenças Raras
Vamos fazer dele o lema para todos os dias?


28 de fevereiro - Dia das Doenças Raras


O linfedema primário é considerado uma doença rara, também por este motivo não poderíamos deixar nos juntarmos a esta dia de chamada de atenção sobre as mais de 6000 doenças raras.









Linfedema e Síndrome de Klippel Trenaunay ... ... ... ... os testemunhos dos pais

Clemente e Matías
fonte: Asociación Coavali 
Nestas visitas pela net fui parar ao Chile, mais concretamente Asociación Coavali.

A Asociación Coavali congrega pais, pacientes e profissionais de saúde que têm o seu foco nas malformações vasculares e linfáticas e, no seu objetivo,  fazer-se ouvir nas politicas de saúde, tentando obter benefícios que visam a melhor qualidade de vida dos doentes afetados.

A história do Clemente e de Matias faz parte dos vários testemunhos, relatados pelos pais, que ali  podemos encontrar.

O Clementito, como os pais carinhosamente lhe chamam, nasceu robusto mas com os pezitos muito inchados e, só passados largos meses e vários exames é que concluíram tratar-se Linfedema Primário.

Hoje em dia o Clemente faz uma vida normal, como qualquer outra criança, e os pais referem a importância que teve o intercâmbio de conhecimentos, com outras pessoas que lidam com o linfedema.

Foi no terceiro mês de gestação, num ecodoppler de rotina, que o médico revelou aos pais de Matías que uma veia, de uma das pernas, era maior que a da outra e, depois de um sem número de exames, o médico foi muito claro ao mencionar que estava perante o seu primeiro caso de um síndrome, raro: Síndrome de Klippel Trenaunay.

Como qualquer casal, também os pais de Matías ansiavam que o seu bébé nascesse saudável mas, perante esta noticia ficaram muito gratos ao estarem a ser acompanhados por um bom clínico, que soube orientá-los de imediato. A gravidez foi de risco e isso fez com que esta família tivesse de mudar a sua residência para uma outra cidade, onde o apoio era mais direto. A saúde do pequeno Matías tem de ter uma vigilância constante e para isso os pais têm contado com um bom acompanhamento dos técnicos de saúde, nacionais e internacionais.

O testemunho da mãe de Matías termina referindo o apego que o seu filho tem à vida, o gosto que ele tem em aprender e como esta criança, na altura já com 9 anos, adora jogar futebol. Mas, Marisol, mãe de Matías, também sublinha que a condição de saúde do seu filho é imprevisível, como é imprevisível a nossa própria vida e como têm vindo a aprender, com o seu filho, a desfrutar o presente como dádiva que nos é dada: a dádiva da vida.



Fonte: Asociación Coavali  

poderá gostar de ler: