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Linfedema - quando o cancro ainda é a prioridade
Estudos médicos referem que a retirada de 1 gânglio, coloca o risco de desenvolver linfedema entre 5% a7%. A probabilidade aumenta para 20%, caso se retire um número considerável de gânglios. Se acrescentarmos um tratamento de radioterapia passamos para um risco de 40%.
O Dr Joseph H.Dayan (realiza cirurgias de transferências de gânglios há cerca de uma década, melhorada agora por novos desenvolvimentos na área da imagiologia) diz que recebe pacientes todas as semanas - sobreviventes a um cancro de mama, mas que se desfazem em lágrimas, não apenas porque têm de lutar com o linfedema, mas porque muitas pessoas, incluindo alguns médicos não reconhecem a doença como extremamente debilitante que exige cuidados diários exigentes - o linfedema é ofuscado pelo facto do cancro ser a prioridade dos médicos.
Em Nova York O Dr Feldman foi o pioneiro numa nova abordagem na remoção de gânglios durante a cirurgia ao cancro. O objetivo é preservar ao máximo o sistema linfático, diminuindo desta forma o risco da incidência de linfedema.
Para ler o artigo completo aqui.
Resumo de:
Isabel Dias
Linfedema Secundário
A mais temida complicação pós cancro de mama
O linfedema é a mais temida complicação após o câncer. As orientações fisioterapêuticas são fundamentais para o seu controle, porém estas podem gerar angústia, sensação de incapacidade, podendo vir a restringir as atividades de vida diárias dessas mulheres.
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| foto: da net |
O fisioterapeuta deve estar atento à maneira como apresenta as orientações preventivas às suas pacientes, buscando a adaptação e nunca a proibição, promovendo o seu empoderamento e compartilhando a responsabilidade pelo seu autocuidado.
Em artigo publicado recentemente na Revista Brasileira de Cancerologia, as autoras mostraram, por meio da transcrição de relatos das próprias mulheres, como é a experiência de viver com o linfedema e também sob o risco de desenvolvê-lo e quais são seus sentimentos frente aos cuidados preventivos.
Pode ler o artigo na íntegra clicando no link
Texto de:
Marianna Lou
Fisioterapeuta
Fisioterapeuta
em Vila Nova de Gaia
Tratamento Físico de Edema - Fisioterapia em Oncologia
A Liga Portuguesa Contra o Cancro NRS está a organizar mais uma edição do Curso “Tratamento Físico do Edema. Fisioterapia em oncologia” - Método Leduc®” a realizar em Lisboa.
Este curso destina-se exclusivamente a Fisioterapeutas.
Manga de Compressão Activa para o Tratamento do Linfedema dos Membros Superiores
Acredito na capacidade técnica dos portugueses.
Carlos Gonçalves está a fazer o doutoramento na Universidade do Minho a sua ideia foi a mais inovadora das ideias incubadas durante dez semanas no Startup Nano, o primeiro programa nacional de aceleração e incubação para startups na área da nanotecnologia (sic).
Carlos Gonçalves está a fazer o doutoramento na Universidade do Minho a sua ideia foi a mais inovadora das ideias incubadas durante dez semanas no Startup Nano, o primeiro programa nacional de aceleração e incubação para startups na área da nanotecnologia (sic).
Ao ler esta noticia, nos orgãos de comunicação social, não poderia ficar indiferente e foi com muito prazer que falei com este engenheiro, empenhado em encontrar uma uma resposta para esta patologia.
Queria ter publicado este texto de imediato, mas circunstâncias que em nada têm a ver com a disponibilidade e simpatia de Carlos Gonçalves só agora o faço, agradecendo publicamente o seu testemunho e o seu empenho.
Queria ter publicado este texto de imediato, mas circunstâncias que em nada têm a ver com a disponibilidade e simpatia de Carlos Gonçalves só agora o faço, agradecendo publicamente o seu testemunho e o seu empenho.
Eis o texto que Carlos Gonçalves me enviou:
Manga de Compressão Activa
para o Tratamento do Linfedema dos Membros Superiores
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| Carlos Gonçalves investigador |
O desenvolvimento de uma manga de compressão activa para o tratamento do linfedema dos membros superiores surge numa parceria entre o Centro de Nanotecnologia e Materiais Inteligentes (CeNTI), a Universidade do Minho (UM), o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) e Massachusetts Institute of Technology (MIT).
O linfedema dos membros superiores é uma patologia caracterizada pela acumulação de linfa no braço. Esta patologia surge normalmente como uma consequência do tratamento do cancro da mama, embora possa também ser causada por queimaduras da pele ou infeções do sistema linfático. O estiramento da pele provocado pela acumulação de linfa é doloroso e impossibilita a execução de movimentos simples associados a tarefas diárias como por exemplo higiene pessoal ou alimentação. Desta forma, o tratamento eficaz desta doença torna-se premente.
Hoje em dia, o tratamento do linfedema dos membros superiores é feito com o recurso a massagens de drenagem linfática e mangas de compressão passivas. As massagens de drenagem linfática, ao contrário das massagens musculares, são massagens superficiais em que as forças exercidas não devem ultrapassar a pressão de 30 mmHg. Desta forma, a linfa é gentilmente conduzida aos canais linfáticos sem o aparecimento de hematomas, o que seria prejudicial ao tratamento. A mangas de compressão passivas são utilizadas no tratamento desta patologia com o intuito de evitar o retorno exagerado da linfa aos membros superiores após a drenagem efectuada com a massagem de drenagem linfática. Por vezes são utilizadas mangas insufláveis para o tratamento desta patologia.
A manga de compressão activa desenvolvida possui a capacidade de mimetizar as massagens de drenagem linfática. Os sensores e os actuadores embebidos num substrato têxtil configuram cinco estágios de compressão responsáveis por aplicarem pressões não superiores a 30 mmHg. Os estágios de compressão são controlados por uma pequena placa de circuito impresso que é alimentada por uma bateria semelhante à bateria de uma telemóvel, o que torna o dispositivo portátil. A portabilidade do dispositivo permite que este seja utilizado no dia à dia por baixo de peças de roupa, o que previne qualquer tipo de estigma associado ao tratamento. Os estágios de compressão são activados sequencialmente desde o pulso até ao ombro onde estão localizados os canais de drenagem linfática.
O dispositivo desenvolvido não vem substituir fisioterapeutas no tratamento do linfedema dos membros superiores, mas sim complementar todas as terapêuticas utilizadas tendo em vista uma recuperação mais rápida e duradoura dos pacientes.
texto de:
PNF - CHI | exercício físico de baixo impacto
A primeira vez que tive oportunidade de ouvir falar sobre PNF-CHI foi através do Fisoterapeuta Nuno Duarte, foi apenas referência a esta prática possível nos Açores graças a dois colegas seus de fisioterapia.
Esta passada semana, ao visitar a APAMCM|Associação Portuguesa de Apoo à Mulher com Cancro de Mama, apercebi-me que esta atividade também era ali praticada e não hesitei em desafiar a Fisioterapeuta Cristina Alves a fazer um pequeno texto sobre esta exercício:
O exercício físico moderado e supervisionado por fisioterapeutas é parte integrante do tratamento do doente com linfedema.
O PNF-Chi é uma das formas de exercício em que o praticante não fica à mercê de forças externas, as forças geradas e mantidas por si próprio durante o movimento de auto-resistência permitem-lhe evitar a dor, procurar atingir a maior resistência, equilíbrio, coordenação, controlo respiratório, flexibilidade e força.
Assim respeitam-se as possibilidades de cada praticante, o que poderá, em alguns
| Fisioterapeuta Cristina Alves |
casos, não ser suficiente para atingir a diminuição do linfedema, sobretudo nos doentes muito débeis, mas também não põe em sobrecarga o paciente, correndo o risco de sofrer uma lesão. Possibilita que o doente realize uma forma de exercício adequada às suas capacidades e beneficie do aumento da qualidade de vida proporcionada pelo exercício. Ao focar-se na realização do exercício atinge um estado de concentração, relaxamento e consciência do corpo que propiciam o bem-estar físico e também a auto-estima e confiança em si mesmo.
A prática do Pnf-Chi tem como principais benefícios: coordenar os padrões neurofisiológicos do movimento normal com o padrão respiratório, facilitar um aumento da amplitude articular, coordenação, força, resistência à fadiga, flexibilidade, equilíbrio e consciência corporal.
O que é o Pnf-Chi?
O Pnf-Chi é um exercício de baixo impacto que visa obter uma mobilização activa global, criado e desenvolvida de acordo com os padrões de movimento do corpo, coordenado com a respiração, baseada em alguns princípios do Tai-Chi e princípios neurofisiológicos do PNF (Proprioceptive Neuromuscular Facilitation).
A Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (em português) é um método utilizado em fisioterapia que conta com a diminuição da resistência neural através de um estímulo proprioceptivo, quando um segundo movimento é mais facilmente realizado sobre uma resposta prévia, o que se traduz na facilitação da coordenação neuromuscular.
A principal característica da FNP é usar diagonais em diversos planos e envolver várias articulações simultaneamente, tal como o Tai-Chi.
O Tai-Chi é considerado uma medicina complementar semelhante ao exercício aeróbio. Compreende relaxamento, padrões respiratórios regulares e profundos e movimentos lentos.
Os movimentos do Pnf-Chi são realizados em sentido diagonal, de forma lenta, contínua e de modo a promover a adaptação progressiva das estruturas mio-fasciais e articulares e o aumento do tempo, volume e controlo respiratório. O padrão respiratório pode ainda ser combinado com movimentos para flexão ou para extensão, conforme a intenção seja de facilitação da contracção muscular ou de alongamento das estruturas mio-fasciais. Estes exercícios são orientados e adaptados a diferentes objectivos e às capacidades individuais de cada praticante, respeitando sempre o arranjo topográfico das estruturas corporais e as amplitudes articulares disponíveis. Os músculos agonistas permitem o movimento enquanto a co-contracção dos antagonistas oferece uma forma de resistência determinada exclusivamente pelo praticante.
A fisioterapia é um importante auxílio para a diminuição do linfedema, uma mais-valia no tratamento do doente, na melhoria da sua qualidade de vida, diminuindo as despesas pessoais, psicológicas, sociais e económicas. É necessária uma resposta eficaz que represente uma abordagem holística e especialmente pensada para o utente.
texto:
Cristina Alves
Treino de Força vs Estudos - Opinião do Fta Nuno Duarte
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| Fta Nuno Duarte |
Sobre o último post aqui publicado a Fisiterapeuta Nuno Duarte escreveu:
"Penso que a divulgação de resultados de estudos que poderão ter uma influência direta na qualidade de vida de milhares de pessoas, deve ser feita de forma responsável, quero dizer, ponderada. Apenas para não ter o efeito contrário ao pretendido. Faço esta afirmação porque muitas pessoas poderão não ter o cuidado de ler o artigo na íntegra e outras poderão não ter a informação necessária para realizar uma leitura crítica do mesmo.
Este estudo (à semelhança de outros) tem demasiadas limitações, como o desenho do estudo, a dimensão da amostra, a falta de aleatorização na seleção dos participantes…o que leva a que tenhamos que ser muito prudentes na leitura dos resultados.
De facto, os autores do estudo têm esse cuidado quando afirmam que o exercício físico (nos doentes oncológicos) não terá qualquer contraindicação quando devidamente prescrito e supervisionado. Na realidade, as guidelines internacionais para o exercício físico no doente oncológico, determinam que em determinadas condições o exercício deva ser supervisionado por um profissional de saúde com formação na área da oncologia. A prática de exercício físico no doente oncológico, à semelhança do que é proposto para a restante população, tem benefícios, contudo, deve-se ter em conta alguns fatores, como o tipo de cirurgia (caso seja aplicável), os efeitos das terapias oncológicas (radioterapia, quimioterapia, imunoterapia, hormonoterapia), a eventual presença de metástases, a existência de cateteres (periféricos e centrais) ... Caso não seja realizada essa ponderação, poderão existir alguns riscos.
Por esse motivo, é muito difícil generalizar, é muito arriscado passar a ideia de que não existem contraindicações. Cada sobrevivente de cancro, tem um historial próprio.
Voltando ao estudo, penso que é importante referir que a amostra foi constituída por um grupo de mulheres com cancro da mama (voluntárias), com um tempo médio de diagnóstico de 87 meses (aproximadamente 7 anos). A maioria das doentes não apresentava linfedema (apenas 3 tinham). Na verdade, esse grupo de doentes (a maioria das quais sem edema após 7 anos de diagnóstico) poderia ter um excelente capital linfático (ótima função linfática, vias de substituição linfática…), o que poderá explicar a capacidade de serem submetidas a grandes cargas sem qualquer tipo de consequência. Como o estudo não foi aleatorizado, poderemos sempre levantar essas questões"
Nuno Duarte
Fisioterapeuta no Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil
Nuno Duarte -
Licenciatura em Fisioterapia; Mestrado em Gestão de Organizações de Saúde; Doutoramento em Saúde Pública na especialidade de Epidemiologia; Fisioterapeuta Coordenador do SMFR do IPOLFG; Docente convidado da Escola Superior de Saúde do Alcoitão na área da Terapia Linfática Descongestiva/Fisioterapia em Oncologia; Docente convidado da Faculdade de Medicina de Hannover no projecto “PoLyEurope Postgraduate Lymphology Training in Europe” entre 2008 e 2015; Membro da Sociedade Europeia de Linfologia
Licenciatura em Fisioterapia; Mestrado em Gestão de Organizações de Saúde; Doutoramento em Saúde Pública na especialidade de Epidemiologia; Fisioterapeuta Coordenador do SMFR do IPOLFG; Docente convidado da Escola Superior de Saúde do Alcoitão na área da Terapia Linfática Descongestiva/Fisioterapia em Oncologia; Docente convidado da Faculdade de Medicina de Hannover no projecto “PoLyEurope Postgraduate Lymphology Training in Europe” entre 2008 e 2015; Membro da Sociedade Europeia de Linfologia
Treino de Força - Linfedema | Cancro
Fisiologista Rúben Francisco
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Foi através da prof Fátima Ramalho, ESDRM|Escola Superior de Desporto de Rio Maior, que tive o privilégio de conhecer o Fisiologista Rúben Francisco. O apoio que este técnico do Desporto tem dado aos doentes com linfedema e lipedema tem sido muito atento, muito profissional e a troca de informação entre nós já é uma linguagem usual, cooperante.
Esta manhã o Fisiologista Rúben Francisco direccionou-me para um post do FB sob o título "Treino de força e cancro? Seguro? Recomendável?". A determinado momento, nesse post, podemos ler:
"...Um exemplo comum destes casos é a ocorrência de linfedema no contexto do cancro da mama. Num estudo recente (referência e link abaixo), Simonavice et al. (2017) conduziu um programa de treino de força de 6 meses envolvendo grandes grupos musculares em mulheres (64 ± 7 anos de idade) sobreviventes de cancro da mama. A circunferência do braço foi avaliada para medir o aumento hipotético do linfedema. Não só não houve agravamento do linfedema nem a ocorrência de quaisquer outros eventos adversos, como o programa de treino de força resultou em aumento da força muscular, função física e qualidade de vida. Isso está de acordo com outros relatórios que mostram que os sobreviventes de cancro de mama podem e devem integrar programas de treino de força com intensidades moderada a alta para melhorar a força muscular, massa magra e densidade mineral óssea."
O estudo que por eles é referido encontra-se aqui e o post é o que podem ter acesso abaixo
sugere-se ainda a leitura do post Treino de Força vs Estudos - a opinião do Fisioterapeuta Nuno Duarte
sugere-se ainda a leitura do post Treino de Força vs Estudos - a opinião do Fisioterapeuta Nuno Duarte
Tratamento Fisico do Edema - abril e junho 2017
Vai começar, já em abril, o XIII Curso do Tratamento Físico do Edema - certificado pela École de Drainage Lymphatique Bruxelles.
Este curso, que tem uma duração de 70 horas, realiza-se, uma vez mais, em Lisboa.
O conteúdo programático pode ser consultado no site da Liga Portuguesa Contra o Cancro, onde também poderão ser feitas as inscrições.
Recomendações nutricionais na presença de Linfedema
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| Inês Carretero Nutricionista |
O linfedema é um problema de saúde que não deve ser negligenciado, uma vez que afeta diversos doentes, especialmente com cancro de mama ou em remissão, invariavelmente com uma associação e impacto negativo na qualidade de vida dos doentes e respetivas famílias. Estudos recentes remetem o linfedema secundário ao cancro de mama como um dos mais angustiantes e temidos efeitos tardios que normalmente pode ocorrer entre 1 a 5 anos ou mesmo 20 anos após o tratamento do cancro.
A nutrição assume um papel preponderante na prevenção e controlo do linfedema. Existem diversos fatores de risco modificáveis como a hidratação, o moderado consumo de proteína, a inflamação e stress oxidativo, higiene e segurança alimentar, o sedentarismo, presença de excesso de peso e obesidade, o colesterol elevado, o reduzido consumo de fibra e presença de uma dieta rica em sal, gordura e hidratos de carbono simples. Ao contrário dos fatores de risco não modificáveis como a mastectomia, a extensão da cirurgia axilar, o número de nódulos linfáticos positivos e a quimioterapia/radioterapia prescrita, a nutrição é uma ferramenta importante no sucesso do tratamento e prevenção do Linfedema.
O excesso de peso e obesidade são conhecidos como dois dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de linfedema, com uma associação positiva para recorrência e sobrevivência no cancro da mama. Acresce a hipótese de existir uma forte associação entre a redução calórica e a implementação de um regime de perda de peso com a redução do volume do linfedema dos membros superiores.
Deste modo, existem diversas recomendações nutricionais gerais para o controlo do linfedema, especialmente quando associado ao cancro da mama. Tenha especial atenção às dietas milagrosas e regimes de perda de peso desajustados, a dieta mediterrânica continua a ser o gold standard a adotar. Mantenha o seu índice de massa corporal (IMC) normoponderal (entre os 18,5-24,9kg/m2), mantenha a hidratação com água e infusões em detrimento das bebidas açucaradas, alcoólicas e produtos com cafeína naturalmente presente no chá, café e refrigerante como a cola.
Fracione ao máximo as refeições ao longo do dia e ingira pelo menos cinco porções de frutas e vegetais diariamente (na proporção de 2/3). Aumente o consumo de alimentos integrais (pão, massas e cereais) e faça um esforço para reduzir o consumo de hidratos de carbono simples. É extraordinariamente importante diminuir o consumo de gordura, especialmente a gordura saturada, privilegiando deste modo o consumo de gordura monoinsaturadas como o azeite, óleo de amendoim amêndoas, azeitonas, abacate e gordura polinsaturada presente nos peixes gordos (salmão, sardinhas e cavala), sementes de linhaça, chia e frutos secos como as nozes, sempre em quantidades moderadas. Aumente ainda o aporte de fibra para uma média de 25-30g/dia e por último mas não menos importante limite o consumo de sal (<5g sal ou 2g de sódio), optando pela saudável substituição: ervas aromáticas, salicórnia, alho, cebola, cominhos.
Os alimentos detêm diversas propriedades terapêuticas, sendo por isso extremamente importante reconhecer e conjugar de forma moderada, equilibrada e variada, com o objetivo de potenciar ao máximo os benefícios nutricionais.
Tenha especial atenção às propriedades depurativas presentes nos alimentos como a alcachofra, o limão, a beterraba, o aipo, o gengibre, o abacaxi, o pepino, os brócolos, os mirtilos, a couve, os espinafres e as cenouras.
As propriedades anti-inflamatórias poderão ser encontradas no alho, no gengibre, no açafrão e alecrim. Encontra-se também presente nos alimentos ricos em ómega 3, vegetais de folha verde-escuros, frutos secos como as nozes, a beterraba, a cebola, o azeite e por último mas não menos importante nas bagas e frutos vermelhos.
Para promover a saúde e prevenir a doença, reforce o seu sistema imunitário através do consumo de alimentos ricos em vitamina D e vitamina C (morangos, kiwi, papaia, laranja e limão), selénio, zinco, cogumelos, iogurte, kefir, cebola, gengibre e alho.
texto de:
Inês Carretero
R.DN, R.N, M.Sc.
2182N
Nutricionista do Mama Help
Nutrição Oncológica
Referências bibliográficas:
- Patterns of Obesity and Lymph Fluid Level during the First Year of Breast Cancer Treatment: A Prospective Study, 2015.
- Nutrition Considerations in Lymphedema, The benefits of a balanced diet, 2015.
- Patterns of Obesity and Lymph Fluid Level during the First Year of Breast Cancer Treatment: A Prospective Study, 2015.
- Cancer-related lymphedema: evolving evidence for treatment and management from 2009 to 2014, 2014.
- Lymphatic vessel insufficiency in hypercholesterolemic mice alters lipoprotein levels and promotes atherogenesis, 2014.
- General Nutrition Guidelines For The Patient With Lymphedema, 2012.
- Effect of vitamins C and e on antioxidant status of breast-cancer patients undergoing chemotherapy, 2012.
- Conservative and Dietary Interventions for Cancer-Related Lymphedema, 2011.
- Randomized controlled trial comparing a low-fat diet with a weight-reduction diet in breast cancer-related lymphedema, 2007.
- Oxidative stress in chronic lymphoedema, 2001.
Hospital de Gaia foi notícia
Já aqui tinhamos falado de cirurgia linfática. Mas, foi agora noticiado, através da Agência Lusa, a cirurgia que decorreu no Hospital de Gaia.
Uma paciente de linfedema no membro superior, após cancro de mama, foi submetida a um transplante ganglionar e é o Dr Gustavo Coelho, Cirurgião Plástico no Hospital de Gaia, que, nas noticias, faz o enquadramento desta cirurgia.
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| fonte |
Alguns dos locais onde se pode ler esta noticia:
| Público |
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| Diário de Noticias |
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| RTP |
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Exercício Fisico para sobreviventes de Cancro de Mama - Nordic Walking
No passado dia 28 de outubro foi publicado, no Journal of Physical Therapy Science, um estudo que teve como objectivo verificar os efeitos do Nordic Walking|Caminhada Nórdica e Caminhada, nos sobreviventes de cancro de mana, tendo para isso sido controlada a perimetria e a retenção de linfa.
Este trabalho contou com técnicos do Departamento de Medicina e Ciência do Envelhicimento e do Departamento de Ciências Médicas, Orais e Biotecnológicas, da Universidade de Chieti-Pescara, do Sportlab (um laboratório de medicina Desportiva), do Departamento de Ciências Médicas da Universidade de Cagliari e com Cristina Gonzalez Castro, que já aqui tinha sido referida, quando partlhei convosco o artigo sobre Nordic Walking” no tratamento do linfedema primário e secundário.
Na conclusão, a que estes técnicos chegaram, pode-se ler que o Nordic Walking, só por si ou combinado com outras técnicas, deve ser prescrito não só para prevenir o linfedema dos membros superiores como forma de tratamento.
O artigo, publicado Journal of Physical Therapy Science, pode ser lido na sua totalidade aqui.
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Projeto almofadas do coração | Heart Pillow Project
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| foto daqui |
Hoje chegou-me ao conhecimento, através da Fisioterapeuta Laura Xavier, a reportagem que saiu no rostos.pt, onde é dado a conhecer a distribuição de almofadas que foram desenhadas para apoiar o braço após intervenção cirúrgica e que têm o objetivo de aliviar a dor pós cirúrgica.
Lê-se naquela reportagem que as primeiras almofadas, que são em forma de coração, foram distribuídas pela Associação de Mulheres com Patologia Mamária e agora chegou a vez de ser feito pelo Hospital do Barreiro.
O "Hearth Pillow Project" (Projecto Almofadas do Coração), que tem origem desconhecida, teve a sua expansão quando uma enfermeira de oncologia, Janet Kramer-Mai, do Erlanger Medical Center in Chattanooga, Tenn., passou pela experiência de cancro de mama, no ano de 2001.
Impacto psicológico do linfedema associado ao cancro da mama
A doença oncológica é uma das patologias mais temidas da actualidade, à qual estão associadas conotações sociais muito simbólicas. É, muito frequentemente, sentida como uma sentença de morte antecedida por um longo período de sofrimento e degradação, tanto sob o ponto de vista físico como psicológico.
Para além dos aspectos psicossociais comuns às doenças oncológicas, o cancro da mama impõe problemáticas específicas na relação da mulher com o seu corpo, pois a mama tem uma representação altamente simbólica do feminino, da maternidade e da sexualidade.
O diagnóstico de cancro da mama poderá fazer surgir respostas emocionais bastante intensas, as quais
podem ser agravadas pelas características da oferta terapêutica, por um lado a possibilidade de uma cirurgia mutilante, por outro a eventual realização de tratamentos agressivos como a quimioterapia ou a radioterapia.
A dissecção dos nódulos linfáticos axilares que poderá acompanhar a cirurgia, leva a uma insuficiência do sistema linfático que pode, associada ou não a outros factores clínicos, levar à instalação do linfedema.
Esta complicação pós-cirúrgica pode diminuir a qualidade de vida não só a um nível físico, constituindo-se como fonte de limitação e dor, como também a um nível emocional e psicossocial, afectando a funcionalidade da mulher, a sua relação com o corpo e a sua capacidade para levar a cabo os seus diferentes papéis. Além disto, poderá aparecer em qualquer fase após a cirurgia, sendo necessário manter as precauções e o alerta constantemente a um nível máximo.
A instalação do linfedema pode provocar reacções emocionais intensas, nomeadamente tristeza, angústia e medo, associadas às mudanças ao nível da imagem corporal. Neste quadro, a discrepância entre a maneira como o corpo foi estabelecido mentalmente e a maneira como é percebido na realidade poderá ser bastante vincada, o que pode ser fonte de perturbação emocional e diminuição da auto-estima, especialmente quando a mulher já foi confrontada com o impacto emocional da cirurgia mamária em si mesma, constituindo-se assim como uma fonte de sofrimento adicional.
Nestes casos de lindefema secundário é difícil para a paciente fazer a dissociação da doença de base, mesmo que esta possa estar perfeitamente controlada apesar do linfedema, pois esta complicação é uma problemática de saúde que relembra a toda a hora qual a terrível patologia que esteve na sua base, prolongando o sentimento de medo e vulnerabilidade face à doença oncológica.
Quando se instala, a natureza crónica do linfedema pode causar sentimentos de culpa (a mulher poderá associar o problema ao seu comportamento) e frustração (o tratamento poderá não conduzir a uma regressão total e rápida do linfedema).
Para além destes aspectos, o linfedema constitui-se como um problema de saúde visível, o que poderá ter também um carácter estigmatizante, podendo afectar a forma como a mulher vivencia a relação com os outros, seja a um nível social mais amplo, ou a um nível mais íntimo na relação em casal. Este sentimento de estigmatização pode ser real ou percebido, sendo que neste último caso, o medo de ser rejeitada pelos outros, leva a uma interpretação abusiva de todas as condutas como tradutoras dessa mesma rejeição.
A maioria das mulheres com linfedema considera este problema como tradutor social de um defeito ou desvantagem física, para além de que a sua representação simbólica associada ao cancro da mama lembra também aos outros, a toda a hora, esse mesmo diagnóstico.
A capacidade funcional da mulher com linfedema fica constrangida, sendo que muitas vezes uma parte das tarefas laborais e domésticas não podem ser realizadas como o eram antes deste diagnóstico, afectando a mulher no desempenho do seu papel familiar e social e profissional. A este último nível, o natural e desejado regresso à actividade laboral poderá ser bastante prejudicado, dependendo também do tipo de tarefas físicas que acarrete, podendo causar até mesmo mudança de funções ou situações de incapacidade física para o trabalho permanente, o que é sem dúvida um acontecimento disruptivo na vida de alguém que está a tentar regressar à sua vida “normal”, a qual ficou em suspenso na altura do diagnóstico.
Para o psicólogo que trabalha na área da saúde, em particular com pacientes sujeitas a este tipo de intervenção cirúrgica, a intervenção começa a um nível de prevenção logo após a realização da cirurgia. Este nível de intervenção constitui-se como um reforço das indicações dadas à paciente e integração das mesmas no dia-a-dia particular de cada mulher, ajudando-a a estar preparada para recusar procedimentos e intervenções, a encontrar estratégias alternativas aos mesmos, e ajudando-a a alterar a forma como leva a cabo determinadas tarefas.
Quando o linfedema já está instalado, é necessário ajudar a paciente a construir um modo de viver com essa problemática, nomeadamente activando os seus recursos internos e ajudando-a a encontrar estratégias adaptativas, aumentando assim o sentimento de controlo sobre a sua vida e sobre as exigências do dia-a-dia. Neste processo de adaptação, quanto mais controlo sentir sobre o mesmo, mais marcado será o seu sentimento de auto-eficácia, o que poderá também influenciar positivamente a auto-estima.
A formação de grupos psicoeducativos de mulheres com cancro da mama e com esta complicação física em particular também se constitui como outra abordagem interventiva, os quais podem ter um carácter multidisciplinar como forma de potenciar os apoios oferecidos. O grupo funciona como um espaço de partilha emocional, identificação entre os pacientes ao nível das suas vivências, desmistificação de crenças de saúde desadaptativas, prevenção e resolução de problemas.
É de salientar que neste processo poderão eclodir quadros psicopatológicos, sendo os mais frequentes quadros de ansiedade e depressão, os quais poderão necessitar de um apoio psicofarmacológico enquadrado num acompanhamento psiquiátrico, pois a presença dos mesmos condiciona a capacidade de mobilização e adaptação, trazendo níveis mais elevados de sofrimento.
Assim, podemos e devemos todos reflectir na extrema importância de acompanhar cada processo de forma individualizada, tendo em conta sempre a importância da esperança, coragem, auto-proteção e autonomização de cada pessoa, independentemente do grau de gravidade do quadro, para que cada um dos doentes com linfedema possa caminhar com determinação na busca pelo bem-estar físico e psicológico.
“Aprendi que a coragem não é a ausência do medo, mas sim o triunfo sobre ele”. Nelson Mandela
Ana Rita Appleton Vicente
Psicóloga Clínica
Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental do CHLN|
Unidade de Psicologia do Hospital Pulido Valente
Linfedema e Treino de Resistência Muscular
“A solução tanto para a permanência como para o alcance é pegar em algo na sua vida que pode controlar e começar a agir nesse sentido. À medida que for fazendo, algumas das suas crenças limitativas vão desaparecer.”
Anthony Robbins
O desenvolvimento ou agravamento do linfedema é uma grande preocupação das mulheres com cancro da mama e essa preocupação limita a realização de atividade física e, principalmente, a realização de exercícios de resistência para ganho de força muscular.
As recomendações que são dadas para a prevenção do desenvolvimento do linfedema muitas vezes entram em confronto com a prática de atividade física, principalmente no que toca ao “carregar pesos” e às cargas mínimas recomendadas.
Acontece que, “carregar pesos” no dia-a-dia, muitas vezes de uma forma inadequada ou mantida é diferente de realizar um programa de exercícios com treino de resistência para ganho de força.
As recomendações para prevenção que são dadas, tornam-se generalistas, pouco adaptadas e é
certo que ainda não se sabe ao certo porque é que há pessoas que desenvolvem linfedema mesmo tendo todos esses “cuidados” e pessoas que, tendo ou não esse tipo de precauções, não desenvolvem linfedema.
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| Ft Sara Rosado com Adelaide de Sousa no programa Faz Sentido |
Agora, o que nos diz a evidência científica recente sobre o risco de desenvolver linfedema no cancro da mama e a realização de um treino de resistência para ganho de força muscular?
Foi recentemente publicada (2016) uma revisão sistemática (tipo de investigação científica que reúne criteriosamente vários estudos originais, sintetizando os resultados e avaliando criticamente a sua qualidade através de estratégias que limitam vieses e erros aleatórios) que teve como objetivos:
1. Sumarizar os resultados de RCT’s (estudos randomizados controlados) recentes que investigaram o efeito dos exercícios de resistência em pessoas com cancro da mama, com linfedema ou com risco de desenvolver.
2. Determinar se os sobreviventes ao cancro da mama conseguem realizar um treino com exercícios de resistência com intensidade suficiente para causar ganhos a nível da força muscular sem haver um agravamento ou surgimento do linfedema associado ao cancro da mama.
Resultados: Esta revisão incluiu seis estudos randomizados controlados, envolvendo 805 sobreviventes ao cancro da mama. Os estudos incluídos vão de encontro aos objetivos desta revisão e aos critérios de inclusão, apresentando uma boa qualidade metodológica (aproximadamente 7 em 10 na PEDro scale).
Os resultados desta revisão indicam que os sobreviventes ao cancro de mama podem realizar exercício de resistência a intensidades suficientemente altas para provocar ganhos de força muscular sem desencadear alterações no estado do linfedema.
Conclusão: Evidência forte indica que os exercícios de resistência produzem ganhos significativos na força muscular sem desencadearem linfedema associado ao cancro da mama.
Texto de fisioterapeuta Sara Rosado, adaptado do artigo: Nelson NL. Breast Cancer – Related Lymphedema and Resistance Exercise: A Systematic Review. J Strength Cond Res. 2016.
A evidência científica tem-nos demonstrado a importância do exercício durante e após os tratamentos para o cancro da mama e tem vindo a dar relevância à questão do linfedema, indicando que mesmo o exercício de resistência não demonstra ter um impacto negativo neste problema e que ainda se pode ter ganhos significativos na força muscular.
Se fez esvaziamento ganglionar axilar, tem risco de desenvolver linfedema e isso poderá acontecer, no entanto, não há uma relação entre a realização de exercício físico e a incidência do linfedema.
Atenção, os programas de exercício físico devem ser rigorosamente adaptados à pessoa, à sua condição física e clínica. Um programa de exercício físico mal elaborado e mal executado aumenta o risco de lesões ou agravamento de outros parâmetros clínicos, tal como em indivíduos sem doença oncológica.
“Por trás de tudo o que pensamos, vive aquilo em que acreditamos, como supremo véu dos nossos espíritos.”
António Machado
Às vezes é preciso desmistificar, reavaliar crenças, duvidar, questionar e selecionar criteriosamente a fonte de informação.
A sua saúde também está nas suas mãos!
Fisioterapeuta Sara Rosado
fonte:
Kathy Bates um rosto do Linfedema
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| imagem daqui |
Kathy Bates sofre de linfedema secundário, pós dupla mastectomia, e tem vindo a ser um rosto para a causa do linfedema, colaborando activamente em várias campanhas.
É Kathy Bates que personaliza o apelo na petição que está a decorrer para o "Dia Internacional do Linfedema".
"Precisamos de estar unidos e educar o mundo sobre o Linfedema" (sic)
Num dos vídeos do canal da Lymphatic Education Research Network, abaixo, Kathy Bates inúmera (a partir do minuto 4,03") durante a "NIH Conference in Washington, DC", muitos dos problemas que as pessoas, que sofrem de linfedema, têm de enfrentar diariamente e que a atriz foi descobrindo depois de se aperceber que "o cancro de mama é apenas uma ponta do iceberg".
Para o reconhecimento do DIA MUNDIAL DO LINFEDEMA
dia mundial do linfedema
6 de março
Está a decorrer uma petição para o reconhecimento do Dia Mundial do Linfedema. Lanço daqui o convite a cada um de vós, que sentir estar nesta causa, para subscrever esta petição.
No texto da petição pode ler-se, grosso modo, o seguinte:
Porque necessitamos de um dia do Linfedema:
É dada grande atenção à batalha contra o cancro. No entanto, a maioria das pessoas nunca ouviu falar de linfedema, que pode surgir no seguimento do cancro. Ouvimos falar pouco de crianças que nascem com má formações linfáticas ou aqueles que herdam linfedema. Há um silêncio sobre a questão dos veteranos feridos de guerra, vítimas civis e outras pessoas que sofrem de linfedema devido a trauma físico ou como resultado de intervenções cirúrgicas. Muitos sofrem sozinhos. Também muitos médicos permanecem sem formação sobre esta doença e que subestimam o impacto devastador que esta doença tem sobre a qualidade de vida de uma pessoa. Muitos permanecem sem o cuidado terapêutico necessário. E esta tragédia é agravada quando o governo e seguradoras privadas de saúde negam a cobertura pacientes, mesmo quando há tratamentos universalmente aceites para esta doença.
A Organização Mundial de Saúde estima que mais de 150 milhões de pessoas no mundo têm linfedema secundário, enquanto o National Institutes of Health (NIH) afirma que a incidência de linfedema primário poderá ser tão alta quanto 1 em 300 nascidos vivos.
Dos 1,4 bilhões de pessoas em 73 países ameaçados por filaríase linfática, também conhecida como elefantíase, 120 milhões estão atualmente infectadas e 40 milhões destes pacientes estão desfigurados e incapacitados pela doença.
Os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) adverte que a incidência de linfedema secundário entre sobreviventes de câncer está entre 20-40%.
Estima-se que há 10 milhões de pessoas com linfedema nos Estados Unidos, de acordo com a Universidade de Stanford. Isto representa mais americanos do que aqueles que sofrem de SIDA, doença de Parkinson, distrofia muscular, esclerose múltipla e ALS-esclerose lateral amiotrófica. Por último referimos que, o processo contínuo de doenças afectadas pelo sistema linfático inclui doenças cardíacas, SIDA, diabetes, artrite reumatóide e a metástase de cancros.
Pode-se ainda ler, no texto da petição...
A mensagem é clara:
"Linfedema e doenças linfáticas estão preste a assumir o seu lugar como prioridades internacionais."
Os dias de sermos invisível acabaram.
Juntos, nós anunciamos Dia Mundial do linfedema que será celebrado em 06 de março.
Vamos mostrar que todos os países ao redor do globo apoia esta causa. LE & RN e seus membros internacionais estão convidando os pacientes, seus familiares e amigos, advogados, políticos e profissionais de tratamento de todos os países para fazer ouvir as suas vozes ao assinar a petição para reconhecer o Dia Mundial Linfedema.
Primeira reunião cientifica organizada pela ANDLinfa
Memória descritiva da 1ª reunião organizada pela ANDLinfa
Escrito por: Susana Rodrigues
Realizou-se no dia 19 de Janeiro, em Lisboa, a 1ª reunião organizada pela Associação Nacional dos Doentes Linfáticos (ANDLinfa).
“Linfedema e lipedema, das necessidades do doente às novidades terapêuticas” foi o título do debate que contou com a presença de profissionais de saúde de várias vertentes, com o mesmo intuito de reforçar um dos principais objetivos da associação que é ter um papel ativo na melhoria da visibilidade das patologias linfáticas e das doenças que lhe estão associadas.

A abertura do debate coube ao Dr. José António Pereira Albino, cirurgião vascular, que apresentou o tema “A linfologia tem história em Portugal?”. Numa descrição cronológica do que tem sido feito no nosso país, fica-se a conhecer quais foram as principais personalidades intervenientes na área da saúde, momentos decisivos, conquistas e partilha de experiências.
“A importância de estarmos juntos” esteve a cargo da palestrante e presidente da Associação, Manuela Lourenço Marques. A doença tem um rosto, não se pode dissociá-la da pessoa que a carrega, dos seus receios e expectativas. Alguns desses rostos foram apresentados, cada um com uma história de vida, mas unidos pela certeza de um diagnóstico que os acompanhará para toda a vida, o linfedema e o lipedema.
Seguiu-se uma mesa redonda sobre “Novos avanços no tratamento do linfedema e do lipedema” moderada pelos cirurgiões vasculares Dr. L. Mota Capitão e Dr. J. Pereira Albino.
Esta mesa redonda teve a participação do fisioterapeuta Nuno Duarte, que apresentou o tema “Tratamento do linfedema secundário, a realidade portuguesa”. Foi possível conhecer-se as particularidades patológicas mais relevantes que diariamente aparecem a quem lida com doentes linfáticos e, para estes especialistas, é preciso incrementar a qualidade e grau de conhecimento dos profissionais envolvidos no tratamento multidisciplinar desta doença.
A médica especialista em cirurgia reconstrutiva e microcirurgia, Dra. Ana Catarina Hadamitzky, residente na Alemanha, dedica há mais de uma década o seu trabalho ao tratamento cirúrgico de doenças do sistema linfático. Foi baseada na sua experiência que desenvolveu o tema “Perspetivas sobre o tratamento do lifedema e do lipedema no séc. XXI”. “O linfedema, assim como o lipedema são doenças sem uma terapia estabelecida; não há soluções universais, há sim diferentes cirurgias, quando necessárias, que dependem das causas, do grau de fibrose dos vasos e do estado clínico do doente”, citando a própria.
Durante toda a reunião esteve patente uma exposição de fotografias “Mulheres Guerreiras”, um projecto de Tracy Richardson e Adelaide Sousa, atriz e apresentadora. Falar do cancro, sem tabu, através da experiência de mulheres sobreviventes ao cancro da mama e de como a doença afetou as suas vidas é a linha condutora deste trabalho.
Com uma audiência que preenchia a totalidade da sala de conferências do Hotel Villa Rica, após sessão aberta de perguntas ao painel de comentadores, terminou assim a 1ª reunião cientifica organizada pela Associação Nacional dos Doentes Linfáticos (ANDLinfa).
Parabéns à Associação pelo contributo que está a desenvolver em prol da consciencialização desta problemática, que vai certamente lançar novos desafios, quer aos profissionais das áreas clínicas, quer à sociedade civil em geral.
Esperamos que nos próximos eventos desta natureza, possam também ser abordadas outras dimensões relacionadas com o Linfedema e Lipedema, nomeadamente questões associadas a limitações físicas que advêm da doença, as suas repercussões no contexto profissional, protecção social e necessário enquadramento legal.
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cancro de mama+linfedema = determinação em vencer
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| Susana Rodrigues |
Chamo-me Susana, tenho 42 anos, e em 2012 foi-me diagnosticado cancro da mama. Depois da quimioterapia, cirurgia (mastectomia e esvaziamento axilar), radioterapia, início da reconstrução da mama, uma recidiva e nova cirurgia, aqui estou, com linfedema nos membros superiores. Faço fisioterapia todas as semanas e uso manga de contenção nos dois braços.
Tive toda a ajuda que é possível no tratamento da doença oncológica (batalha espero eu ganha, apesar das muitas consultas e exames que faço de vigilância!) e mais recentemente nesta sequela que a doença e os tratamentos me deixaram, que é o linfedema.
Lutei contra a doença, com o apoio da equipa médica, família e amigos próximos. Foi um trabalho de equipa, e por mim e por todos eles nunca me deixei ir abaixo! No entanto, tenho passado uns tempos triste e revoltada, porque ao aproximar-se a data de me apresentar ao serviço, e apesar dos relatórios médicos que descreviam a minha incapacidade para exercer cabalmente a minha actividade profissional (sou professora de matemática do ensino básico e secundário), a minha entidade patronal nada faz, baseando-se no facto de que a legislação em vigor não consagra qualquer adaptação que possa ser feita a nível profissional. Sinto-me duplamente castigada! Não fui submetida a avaliação de Junta Médica para iniciar as minhas funções, encontrando-me, portanto num grande vazio e sem apoio!
Sei que são muitas as pessoas que vivem situações idênticas, e a angústia e sensação de impotência são crescentes porque não vislumbro uma luzinha ao fundo do túnel! Há movimentos na nossa sociedade que procuram sensibilizar diferentes entidades/centros de poder de decisão para esta problemática, e a Associação Nacional dos Doentes Linfáticos é uma delas…mas as paredes que se atravessam à nossa frente são muito altas e eu vivo presentemente esta dificuldade!
Gostaria de enaltecer este projecto associativo e apesar da “tenra idade", o trabalho que tem vindo já a desenvolver e empenho demonstrado, que certamente permitirá incrementar o esforço na busca de soluções para os problemas que nos afectam no nosso dia-a-dia e reafirmo a minha disponibilidade para, com o meu testemunho e experiência, contribuir para esta causa e melhorar a nossa qualidade de vida.
Tive toda a ajuda que é possível no tratamento da doença oncológica (batalha espero eu ganha, apesar das muitas consultas e exames que faço de vigilância!) e mais recentemente nesta sequela que a doença e os tratamentos me deixaram, que é o linfedema.
Lutei contra a doença, com o apoio da equipa médica, família e amigos próximos. Foi um trabalho de equipa, e por mim e por todos eles nunca me deixei ir abaixo! No entanto, tenho passado uns tempos triste e revoltada, porque ao aproximar-se a data de me apresentar ao serviço, e apesar dos relatórios médicos que descreviam a minha incapacidade para exercer cabalmente a minha actividade profissional (sou professora de matemática do ensino básico e secundário), a minha entidade patronal nada faz, baseando-se no facto de que a legislação em vigor não consagra qualquer adaptação que possa ser feita a nível profissional. Sinto-me duplamente castigada! Não fui submetida a avaliação de Junta Médica para iniciar as minhas funções, encontrando-me, portanto num grande vazio e sem apoio!
Sei que são muitas as pessoas que vivem situações idênticas, e a angústia e sensação de impotência são crescentes porque não vislumbro uma luzinha ao fundo do túnel! Há movimentos na nossa sociedade que procuram sensibilizar diferentes entidades/centros de poder de decisão para esta problemática, e a Associação Nacional dos Doentes Linfáticos é uma delas…mas as paredes que se atravessam à nossa frente são muito altas e eu vivo presentemente esta dificuldade!
Gostaria de enaltecer este projecto associativo e apesar da “tenra idade", o trabalho que tem vindo já a desenvolver e empenho demonstrado, que certamente permitirá incrementar o esforço na busca de soluções para os problemas que nos afectam no nosso dia-a-dia e reafirmo a minha disponibilidade para, com o meu testemunho e experiência, contribuir para esta causa e melhorar a nossa qualidade de vida.
Bem hajam
texto e testemunho:
Susana Rodrigues
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