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Alimentação Mediterrânica no Linfedema
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| Maria Palma Mateus, nutricionista docente da Escola Superior de Saúde Universidade do Algarve |
A implementação de hábitos alimentares saudáveis que contribuam para promover a redução do peso, em caso de excesso de peso ou obesidade, ou para a sua manutenção, caso o peso esteja adequado, e que atenuem as situações inflamatórias e pró-oxidantes, pode ter um papel determinante na melhoria da sintomatologia associada a esta patologia. Nesse sentido, a intervenção nutricional mais adequada a esta situação clínica, será a adoção de uma dieta anti-inflamatória, rica em nutrientes com potencial anti-inflamatório e antioxidante e reduzida em alimentos pró-inflamatórios e promotores de stress oxidativo.
Um dos padrões alimentares mais estudados e que nos é muito próximo é a alimentação mediterrânica, associada à Dieta Mediterrânica (estilo de vida dos países que circundam o Mediterrâneo ou que por ele são influenciados, como é o caso de Portugal). É reconhecida pela Organização Mundial de Saúde como um “forma de comer” saudável e sustentável, considerada como um importante fator preventivo de desenvolvimento de várias doenças e protetor da saúde humana.
Para este reconhecimento, contribuem em muito, as suas características nutricionais e propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes.
A alimentação mediterrânica tem por base o consumo diversificado de produtos vegetais frescos, de produção local e da época. Promove o azeite como gordura principal e os preparados culinários simples como a sopa e a “comida de panela”, onde todos os ingredientes se reúnem em cru, ou se juntam a um refogado leve.
As leguminosas como o feijão, o grão ou a ervilha estão presentes com regularidade bem como o pão de qualidade. Acompanha-se com água em todos os momentos e vinho, ocasionalmente, e de forma moderada, às refeições principais.
Como praticar uma alimentação mediterrânica:
- Faça no mínimo três refeições principais – pequeno-almoço, almoço e jantar, intercaladas com pequenos lanches, de modo a não estar mais de 3,5 horas sem comer. Fazer pequenas refeições a horas certas, várias vezes ao dia, ajuda a controlar a quantidade de alimentos que se consome a cada refeição.
- Dê preferência a cereais pouco refinados como pão de mistura ou integral, arroz integral ou vaporizado, massas de trigo duro e couscous. Estes alimentos são excelentes fontes alimentares de amido (principal fonte de energia do organismo), fibra, vitaminas do complexo B e minerais (magnésio, fósforo, cálcio, ferro,…).
- Consuma produtos hortícolas em abundância, de diferentes cores e texturas, ao almoço e ao jantar, na sopa e no prato, para garantir o aporte diário de fibra, de vitaminas, de minerais e de substâncias antioxidantes.
- Consuma diariamente uma a duas peças de fruta. Faça da fruta a sua sobremesa preferida. Os produtos hortícolas e fruta são muito ricos em substâncias protetoras com elevado potencial.
- Beba bastante água durante todo o dia. Em alternativa, beba infusões de ervas (tília, cidreira, camomila, lúcia-lima,…) ou chá sem açúcar. Outras bebidas não açucaradas e sopas com pouco sal e gordura constituem também excelentes formas de hidratação.
- Dê preferência ao azeite para cozinhar e temperar os alimentos. Apesar de ser uma excelente gordura consuma com moderação dado o seu elevado valor calórico.
- Evite o consumo de sal em excesso. Substitua o sal por ervas aromáticas (salsa, coentro, louro, tomilho, manjericão, orégãos,…), quantidades moderadas de especiarias (cravinho, noz-moscada, cominhos,…), cebola e alho. Não use sal de mesa e evite aperitivos salgados.
- Inclua pequenas quantidades de azeitonas, nozes e amêndoas, figos secos, tremoço e sementes na sua alimentação diária. (Prefira estes alimentos com a menor quantidade possível de sal.) Ricos em gorduras insaturadas, proteína de origem vegetal, vitaminas, minerais e fibras. Em pequenas quantidades, podem constituir um lanche, em alternativa, a produtos alimentares ricos em gorduras saturadas e açúcar como os croissants, bolos e bolachas, entre outros.
- Modere o consumo de vinho e/ou cerveja e faça-o apenas às refeições principais (1 copo pequeno, por dia, para as mulheres e 2 copos pequenos, por dia, para os homens). Evite o consumo de bebidas destiladas como aguardentes, licores e whisky.
- Inclua nas refeições principais:
- Pescado, duas ou mais vezes, por semana; carne de aves e coelho, duas vezes por semana; e ovos (dois a quatro, por semana) - inclui os ovos utilizados em preparações culinárias). Estes alimentos fornecem proteína de excelente qualidade com um baixo teor de gorduras saturadas. O pescado é ainda rico em ácidos gordos polinsaturados ómega 3, com propriedades anti-inflamatórias.
- Leguminosas secas e frescas (feijão, grão-de-bico, lentilhas, chícharo, fava, ervilha), mais de duas vezes, por semana. Combine as leguminosas com cereais (arroz, massa, couscous,…) ou com batata/batata-doce, e obtenha uma excelente fonte de proteína vegetal com baixo teor em gordura.
- Carnes vermelhas, reduza o seu consumo para uma a duas vezes por semana e carnes processadas (fiambre, enchidos, presunto e outros produtos de charcutaria) menos de uma vez por semana, e em pequenas quantidades. Estes alimentos apresentam um teor elevado em gorduras saturadas.
- Pratique uma culinária rica em sabores e aromas e pobre em gorduras.
Redescubra as nossas tradições alimentares e pratique um estilo de vida saudável, faça refeições em família, conviva com os seus amigos à volta da mesa e seja ativo.
Nutricionista,
docente no Curso de Dietética e Nutrição da Escola Superior de Saúde da Universidade do Algarve
Recomendações nutricionais na presença de Linfedema
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| Inês Carretero Nutricionista |
O linfedema é um problema de saúde que não deve ser negligenciado, uma vez que afeta diversos doentes, especialmente com cancro de mama ou em remissão, invariavelmente com uma associação e impacto negativo na qualidade de vida dos doentes e respetivas famílias. Estudos recentes remetem o linfedema secundário ao cancro de mama como um dos mais angustiantes e temidos efeitos tardios que normalmente pode ocorrer entre 1 a 5 anos ou mesmo 20 anos após o tratamento do cancro.
A nutrição assume um papel preponderante na prevenção e controlo do linfedema. Existem diversos fatores de risco modificáveis como a hidratação, o moderado consumo de proteína, a inflamação e stress oxidativo, higiene e segurança alimentar, o sedentarismo, presença de excesso de peso e obesidade, o colesterol elevado, o reduzido consumo de fibra e presença de uma dieta rica em sal, gordura e hidratos de carbono simples. Ao contrário dos fatores de risco não modificáveis como a mastectomia, a extensão da cirurgia axilar, o número de nódulos linfáticos positivos e a quimioterapia/radioterapia prescrita, a nutrição é uma ferramenta importante no sucesso do tratamento e prevenção do Linfedema.
O excesso de peso e obesidade são conhecidos como dois dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de linfedema, com uma associação positiva para recorrência e sobrevivência no cancro da mama. Acresce a hipótese de existir uma forte associação entre a redução calórica e a implementação de um regime de perda de peso com a redução do volume do linfedema dos membros superiores.
Deste modo, existem diversas recomendações nutricionais gerais para o controlo do linfedema, especialmente quando associado ao cancro da mama. Tenha especial atenção às dietas milagrosas e regimes de perda de peso desajustados, a dieta mediterrânica continua a ser o gold standard a adotar. Mantenha o seu índice de massa corporal (IMC) normoponderal (entre os 18,5-24,9kg/m2), mantenha a hidratação com água e infusões em detrimento das bebidas açucaradas, alcoólicas e produtos com cafeína naturalmente presente no chá, café e refrigerante como a cola.
Fracione ao máximo as refeições ao longo do dia e ingira pelo menos cinco porções de frutas e vegetais diariamente (na proporção de 2/3). Aumente o consumo de alimentos integrais (pão, massas e cereais) e faça um esforço para reduzir o consumo de hidratos de carbono simples. É extraordinariamente importante diminuir o consumo de gordura, especialmente a gordura saturada, privilegiando deste modo o consumo de gordura monoinsaturadas como o azeite, óleo de amendoim amêndoas, azeitonas, abacate e gordura polinsaturada presente nos peixes gordos (salmão, sardinhas e cavala), sementes de linhaça, chia e frutos secos como as nozes, sempre em quantidades moderadas. Aumente ainda o aporte de fibra para uma média de 25-30g/dia e por último mas não menos importante limite o consumo de sal (<5g sal ou 2g de sódio), optando pela saudável substituição: ervas aromáticas, salicórnia, alho, cebola, cominhos.
Os alimentos detêm diversas propriedades terapêuticas, sendo por isso extremamente importante reconhecer e conjugar de forma moderada, equilibrada e variada, com o objetivo de potenciar ao máximo os benefícios nutricionais.
Tenha especial atenção às propriedades depurativas presentes nos alimentos como a alcachofra, o limão, a beterraba, o aipo, o gengibre, o abacaxi, o pepino, os brócolos, os mirtilos, a couve, os espinafres e as cenouras.
As propriedades anti-inflamatórias poderão ser encontradas no alho, no gengibre, no açafrão e alecrim. Encontra-se também presente nos alimentos ricos em ómega 3, vegetais de folha verde-escuros, frutos secos como as nozes, a beterraba, a cebola, o azeite e por último mas não menos importante nas bagas e frutos vermelhos.
Para promover a saúde e prevenir a doença, reforce o seu sistema imunitário através do consumo de alimentos ricos em vitamina D e vitamina C (morangos, kiwi, papaia, laranja e limão), selénio, zinco, cogumelos, iogurte, kefir, cebola, gengibre e alho.
texto de:
Inês Carretero
R.DN, R.N, M.Sc.
2182N
Nutricionista do Mama Help
Nutrição Oncológica
Referências bibliográficas:
- Patterns of Obesity and Lymph Fluid Level during the First Year of Breast Cancer Treatment: A Prospective Study, 2015.
- Nutrition Considerations in Lymphedema, The benefits of a balanced diet, 2015.
- Patterns of Obesity and Lymph Fluid Level during the First Year of Breast Cancer Treatment: A Prospective Study, 2015.
- Cancer-related lymphedema: evolving evidence for treatment and management from 2009 to 2014, 2014.
- Lymphatic vessel insufficiency in hypercholesterolemic mice alters lipoprotein levels and promotes atherogenesis, 2014.
- General Nutrition Guidelines For The Patient With Lymphedema, 2012.
- Effect of vitamins C and e on antioxidant status of breast-cancer patients undergoing chemotherapy, 2012.
- Conservative and Dietary Interventions for Cancer-Related Lymphedema, 2011.
- Randomized controlled trial comparing a low-fat diet with a weight-reduction diet in breast cancer-related lymphedema, 2007.
- Oxidative stress in chronic lymphoedema, 2001.
Em Alcoitão aconteceu!
As Fisioterapeutas Susana Duarte e Carla Carvalho resumem, desta forma, a Conferência “Um dia pelo Linfedema”:
No dia 12 de Novembro realizou-se a Conferência intitulada “Um dia pelo Linfedema” no auditório do Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão (CMRA). Este evento foi destinado a profissionais de saúde, utentes e população geral, tendo como objetivo a partilha e a divulgação do estado de arte atual e salientando a importância da multidisciplinaridade no tratamento desta condição.
A Conferência iniciou-se com as boas-vindas da Comissão Organizadora, as fisioterapeutas Carla Carvalho e Susana Duarte, da Directora Clínica do CMRA, Drª Maria de Jesus Rodrigues e da Terapeuta Directora, Drª Lia Jacobsohn, que destacaram a relevância da realização deste tipo de eventos e agradeceram a presença de todos os participantes.
A moderar a primeira mesa de oradores, esteve a Drª Natália Martins. O primeiro a partilhar os seus conhecimentos foi o Dr. José Pereira Albino com o tema Como posso saber se tenho um linfedema? Diagnóstico e Conceitos gerais, onde
foram abordados factos históricos sobre o desenvolvimento da linfologia em Portugal, a definição e classificação do linfedema, bem como os sinais e sintomas a ter em conta na identificação da condição. Seguidamente, tivemos uma apresentação do Dr. Carlos Mavioso, intitulada Opções cirúrgicas no tratamento do linfedema, que procurou informar os participantes relativamente às diversas abordagens cirúrgicas disponíveis, tanto em contexto internacional como em Portugal.
Seguiu-se a segunda mesa, que foi moderada pela Drª Maria da Lapa Rosado. A primeira a dar a sua contribuição foi a Drª Alexandra Medeiros, psicóloga, com a Linfedema e o seu Impacto Psicológico. A sua palestra centrou-se na apresentação de um protocolo de avaliação de utentes com linfedema que teve como objetivo identificar as consequências psicológicas da presença desta condição e traçar um perfil psicológico destes utentes.
A apresentação seguinte foi da responsabilidade da Drª Inês Carretero, nutricionista, com o tema Recomendações nutricionais na presença de linfedema, onde foram destacados todos os cuidados a ter em conta na seleção de uma dieta equilibrada e específica para pessoas com linfedema, salvaguardando a necessidade de um plano alimentar individualizado e ajustado a cada indivíduo.
Ainda nesta mesa, seguiu-se a temática Feridas e linfedema – desafios e soluções, abordada pela enfermeira Rita Marques, onde foram apresentados diversos casos de utentes com alterações cutâneas e de que forma estes problemas foram solucionados através dos cuidados prestados pela Enfermagem.
Por último, a Drª Manuela Lourenço Marques salientou A importância de estarmos juntos!. A presidente da ANDLinfa falou da sua história como doente linfática e das motivações para o crescimento da Associação, destacando o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela mesma e de que forma é possível todos nos envolvermos nesta causa.
No período da tarde, iniciou-se a terceira e última mesa, moderada pela fisioterapeuta Margarida Sobreira. A palestra Linfedema – Quais os desafios da Fisioterapia? esteve a cargo da fisioterapeuta Conceição Rebelo de Andrade, que enfatizou o processo rigoroso de avaliação e intervenção num doente com linfedema, bem como a importância de dar uma resposta atempada e ajustada às necessidades dos utentes.
A Drª Joana Henriques, fisiatra, com a apresentação Percurso do utente com linfedema no CMRA, deu a conhecer a existência desta área de intervenção no Centro e explicou o trajeto dos utentes no mesmo, desde a sua admissão até receberem os cuidados de saúde necessário.
Por último, a Medi, empresa parceira do evento, encerrou a mesa com uma demonstração do Circaid® de membro superior e de membro inferior, realizada pelo enfermeiro Alberto Oliveira.
Tendo este evento sido realizado no Dia Nacional da Fisioterapia (12 de novembro), a Conferência foi encerrada com as palavras da fisioterapeuta Elsa Silva, representante da Associação Portuguesa de Fisioterapeutas e do fisioterapeuta João Paulo Pequito, Presidente do Sindicato dos Fisioterapeutas Portugueses. A Comissão Organizadora, as fisioterapeutas Carla Carvalho e Susana Duarte, mais uma vez, agradeceram a presença dos participantes e a colaboração de todas as pessoas envolvidas, nomeadamente, oradores, moderadores e Unidades de Apoio do CMRA.
Fica um balanço muito positivo deste dia e a esperança de que surjam mais oportunidades para reunir todos os interessados em demonstrar que o linfedema existe!
Texto de:
Carla Carvalho e Susana Duarte
Fisioterapeutas
12 nov 2016
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