Treino de Força vs Estudos - Opinião do Fta Nuno Duarte

Fta Nuno Duarte
Sobre o último post aqui publicado a Fisiterapeuta Nuno Duarte escreveu:

"Penso que a divulgação de resultados de estudos que poderão ter uma influência direta na qualidade de vida de milhares de pessoas, deve ser feita de forma responsável, quero dizer, ponderada. Apenas para não ter o efeito contrário ao pretendido. Faço esta afirmação porque muitas pessoas poderão não ter o cuidado de ler o artigo na íntegra e outras poderão não ter a informação necessária para realizar uma leitura crítica do mesmo.
Este estudo (à semelhança de outros) tem demasiadas limitações, como o desenho do estudo, a dimensão da amostra, a falta de aleatorização na seleção dos participantes…o que leva a que tenhamos que ser muito prudentes na leitura dos resultados. 

De facto, os autores do estudo têm esse cuidado quando afirmam que o exercício físico (nos doentes oncológicos) não terá qualquer contraindicação quando devidamente prescrito e supervisionado. Na realidade, as guidelines internacionais para o exercício físico no doente oncológico, determinam que em determinadas condições o exercício deva ser supervisionado por um profissional de saúde com formação na área da oncologia. A prática de exercício físico no doente oncológico, à semelhança do que é proposto para a restante população, tem benefícios, contudo, deve-se ter em conta alguns fatores, como o tipo de cirurgia (caso seja aplicável), os efeitos das terapias oncológicas (radioterapia, quimioterapia, imunoterapia, hormonoterapia), a eventual presença de metástases, a existência de cateteres (periféricos e centrais) ... Caso não seja realizada essa ponderação, poderão existir alguns riscos.

Por esse motivo, é muito difícil generalizar, é muito arriscado passar a ideia de que não existem contraindicações. Cada sobrevivente de cancro, tem um historial próprio.

Voltando ao estudo, penso que é importante referir que a amostra foi constituída por um grupo de mulheres com cancro da mama (voluntárias), com um tempo médio de diagnóstico de 87 meses (aproximadamente 7 anos). A maioria das doentes não apresentava linfedema (apenas 3 tinham). Na verdade, esse grupo de doentes (a maioria das quais sem edema após 7 anos de diagnóstico) poderia ter um excelente capital linfático (ótima função linfática, vias de substituição linfática…), o que poderá explicar a capacidade de serem submetidas a grandes cargas sem qualquer tipo de consequência. Como o estudo não foi aleatorizado, poderemos sempre levantar essas questões"

Nuno Duarte
Fisioterapeuta no Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil


O estudo mencionado no post anterior encontra-se aqui 

Nuno Duarte -
Licenciatura em Fisioterapia; Mestrado em Gestão de Organizações de Saúde; Doutoramento em Saúde Pública na especialidade de Epidemiologia; Fisioterapeuta Coordenador do SMFR do IPOLFG; Docente convidado da Escola Superior de Saúde do Alcoitão na área da Terapia Linfática Descongestiva/Fisioterapia em Oncologia; Docente convidado da Faculdade de Medicina de Hannover no projecto “PoLyEurope Postgraduate Lymphology Training in Europe” entre 2008 e 2015; Membro da Sociedade Europeia de Linfologia

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Manuela (L de linfa)