O exercício físico faz parte da nossa vida, tendo a patologia ou não, é essencial manter uma vida activa. Segundo a American College Sport Medicine, devemos praticar no mínimo 30-60 minutos de actividade física, com uma intensidade moderada (cinco dias por semana) ou então 20-60 minutos de actividade física com uma intensidade vigorosa.
Existe várias maneiras de praticar exercício físico, mas com limitações oriundas do linfedema e/ou lipedema, até andar pode ser difícil. Sendo assim, começa-se a associar o Nordic Walking à patologia. Não só, porque tem o suporte dos bastões mas porque a actividade física faz parte da terapia do descongestionamento linfático.
O Nordic Walking, tem vindo a ganhar popularidade na Europa, em especial na Finlândia. Esta modalidade, consiste na caminhada em qualquer terreno com auxilio de dois bastões. Começou a ser usado nos países Nórdicos, como forma de manter o treino dos esquiadores durante as estações de temperaturas mais quentes. Este tipo de caminhada liberta parte do esforço usado nos membros inferiores, passando para os membros superiores e o tronco. O dispêndio calórico é 46% superior ao da caminhada normal.
Sendo mais específico, o Nordic Walking, melhora o desconforto articular nos ombros, diminui a compressão dos discos vertebrais, favorecendo assim a postura corporal. Neste tipo de caminhada, os triceps são os músculos mais usados, sendo que os membros superiores são sempre mais solicitados do que qualquer outra parte do corpo, assim, poderá aliviar o desconforto nas articulações dos mesmos. Sobre os membros inferiores, as pernas são menos usadas, pois em vez de se usar os pés como apoio, o peso do corpo distribui-se pelos quatro apoios.
Neste tipo de caminhada, os bastões devem manter um ângulo de 45 graus com o solo. A extremidade do bastão deve manter-se atrás da linha do corpo. O movimento com os bastões, tem três fases. Numa primeira fase, a mão que segura o bastão da frente adopta uma posição. Numa segunda fase, o apoio do bastão no solo ajudará a impulsionar o centro de massa. Na terceira, o braço de trás deve ficar paralelo ao bastão e a mão deve relaxar, estendendo os dedos. Existem os bastões ajustáveis e os fixos. Os ajustáveis, permitem ao praticante encontrar a altura correta, mas têm a desvantagem de implicar mais vibração ao entrar em contacto com o chão. Um praticante experiente deve ter o bastão a 90 graus de flexão, ao contrário do menos experiente, que deve ter menos de 90 graus. Para determinar o comprimento do bastão multiplique a sua altura por 0,68cm.
Quando fui convidado pela Manuela
para oferecer um pequeno contributo a este blog, hesitei sobre que escrever.
Actualmente a intervenção da fisioterapia no tratamento de linfedema está
bastante difundida e os resultados dos tratamentos de drenagem linfática
manual, pressoterapia, aplicação de bandas multicamadas e exercícios específicos
estão comprovados pela evidência científica.
Assim em vez de escrever um texto
técnico, decidi apresentar uma visão um pouco mais pessoal. Tentei reflectir e
perceber se existe um denominador comum, a todos os doentes que tive a
oportunidade de trabalhar. Da minha observação enquanto fisioterapeuta mas
também como ser humano, o que provocou mais impacto?
A resposta surgiu de imediato.
Mais que o impacto provocado pelas limitações funcionais relativas à limitação
física imposta pelo linfedema, de maior ou menor dimensão, o grande impacto em
todas as pessoas apresentou-se a nível emocional. Independentemente de idade,
sexo, escolaridade, religião ou etnia, todas estas pessoas verbalizaram ou
mostraram sentimentos mais negativos como por exemplo tristeza ou vergonha
relativa ao seu corpo. Em casos mais extremos de elefantíase, algumas pessoas
referem mesmo tentar esconder-se da sociedade. Mesmo os doentes com situações
mais simples e com estruturas emocionais mais fortes, a certa altura, entre o
bom humor, lá deixavam escapar uma certa mágoa ou insatisfação relativa à
imagem corporal.
Mas o mais grave para mim foi
verificar, mais que o minimamente aceitável, que actualmente ainda existem
pessoas portadoras de linfedema que não tinham conhecimento de tratamentos para
o seu problema. Apesar de se tratar de uma doença crónica, ainda sem cura, o
aumento da qualidade de vida tem de ser visto como um direito de todos,
independentemente da gravidade da sua condição. Nestas situações, deu-me
particular satisfação observar autenticas reviravoltas nas vidas destes
doentes. Presenciar recuperação não só física mas também emocional é muito
gratificante para o fisioterapeuta que participa na intervenção
multidisciplinar. E para todos os doentes, os tratamentos realizados bem como o
aconselhamento foram ferramentas para o portador de linfedema encarar a sua
doença com mais optimismo.
Felizmente a medicina está em
constante evolução e nesta área é visível o aumento da diversidade e qualidade
de ajudas técnicas. A este nível observo que todos os doentes tentam adquirir
as ajudas técnicas que lhes são prescritas/aconselhadas, mas nem todos o fazem
por questões económicas. Para as empresas particulares já estabelecidas, a área
da saúde é uma área com grandes lucros, pois os doentes normalmente tentam
fazer tudo para melhorar a sua qualidade de vida, por vezes adquirindo produtos,
de inegável qualidade, mas com preços muitas vezes proibitivos. Porém, é esta mesma
“lucrabilidade” que motiva as empresas deste ramo a melhorar e inovar os seus
produtos.
Devido à crise económica mundial
em que vivemos penso ser difícil esta situação mudar brevemente. O Sistema
Nacional de Saúde não deverá aumentar comparticipações nesta área, nem tão cedo
deverá alterar nada que aumente a globalidade, directa ou indirectamente, do
seu orçamento a curto prazo. Apesar disto, a educação em Portugal na área da
saúde é de nível elevado e de forma geral os serviços são dotados de
profissionais de qualidade. No Hospital Pulido Valente tenho a felicidade de trabalhar com
profissionais de excelência, dedicados em obter os melhores resultados e é com
gosto que verificamos a satisfação dos nossos utentes.
Esta decisão está já a ter efeitos, dado que o Senador Charles Schumed pede 70 milhões de dólares para serem afectados ao orçamento da NIH National Institute of Health, destinados à investigação na área linfática. A petição pode ser assinada aqui
Para quem tem linfedema, ou lipedema, sabe que moda é algo que não é fácil de aplicar.
"os sapatos da minha avó" muito confortáveis, acrescento J
Dificilmente compro umas calças ou uns sapatos.
Não perco tempo a olhar para montras, sei que não têm resposta para mim. E, quando encontro algo que seja minimamente aceitável decido, no caso dos sapatos, comprar logo mais de um par (apliquei mal o tempo verbal... deveria ter dito "decidia comprar"... faz já muito tempo que uso os meus Louboutin ou, como também designo os sapatos que calço, "os sapatos da minha avó", é assim que carinhosamente defino o modelo que já a minha avó usava e que, sem dúvida, é um excelente avanço na minha moda... cheguei a usar, de inverno e de verão, os sapatos pós cirúrgicos.
Recentemente fui conduzia para o blog de uma cantora húngara, Andrea Gerak, e foi interessante constatar que também ela, com linfedema secundário, à semelhança de outros blogs pelos quais tenho passado, tem um apontamento sobre moda. Neste blog fala-se de uma solução numa das peças onde também não é fácil uma solução: as jeans. Fiquei francamente agradada por ver que estilistas como Jacob Cohen estavam envolvidos em soluções de vestuário para linfedema.
Não são só os designers de moda italianos que dão soluções em vestuário inclusivo. Ao conversar com o Prof Miguel Ângelo Carvalho, Universidade do Minho, fui agradavelmente surpreendida com o projeto em que está envolvido, o da adaptação de jeans às funções do dia a dia, evitando assim problemas circulatórios...
O nome da Universidade do Minho é ainda uma referência no projeto que também tem o nome do engenheiro têxtil Miguel Ângelo Carvalho, quando se fala de vestuário inclusivo (para acamados ou pessoas com mobilidade em cadeira de rodas).
Para que visualizem o que aqui refiro, à margem das soluções para o linfedema e lipedema, deixo os link's que têm um cunho de Portugal: o do projecto das jeans (FYT) e o do vestuário inclusivo (we adapt).
Benefícios de praticar exercício com Smovey® em patologias como o Linfedema e o Lipedema
Os músculos e as articulações que não são usados ficam deteriorados.
Em todas as patologias crónicas um dos pilares para se alcançar e manter o bem-estar é, sem dúvida, a prática, de preferência, diária de exercício físico, quer seja em casa, com um grupo, ou no exterior.
Pequenos movimentos regularmente executados libertam os espasmos das articulações, dos ligamentos e dos músculos. Com a prática diária de exercício, activam-se os sistemas circulatório e linfático e a estimulação senso-motora mantêm-nos leves, ligeiros e em forma.
Normalmente todos temos o hábito de utilizar uma série limitada de movimentos corporais que dificilmente exploram a capacidade que o corpo tem de alcançar mais alto/mais acima e de mais rotação. Como não exploramos as máximas capacidades físicas que as nossas articulações permitem, as nossas cápsulas articulares encolhem, diminuindo ainda mais os nossos movimentos. Para compensar esta diminuição de mobilidade adquirem-se padrões de movimentos ou de trabalho manual errados o que resulta numa maior perda de flexibilidade do nosso sistema locomotor.
No caso do linfedema secundário, devido à existência de cicatrizes, aderências e, por vezes, de dor, é muito importante começar-se por exercícios suaves e equilibrados para que, dentro do possível, se consiga alcançar por completo o padrão de movimentos habitual.
Ao executar-se, suavemente, movimentos balanceados até se alcançar a posição máxima permitida pela nossa articulação, o nosso corpo consegue melhorar rapidamente a sua liberdade de movimentos.
Através da prática regular de exercícios com os smovey, treina-se a ressonância bilateral dos braços e a velocidade dos anéis vibratórios activa quase todos os músculos e articulações do corpo, levando à estabilização e equilíbrio de todo o corpo.
O exercício com o smovey pode ser desenhado individualmente. Intensifica a activação do fluido linfático, a mobilização da circulação e das articulações e, simultaneamente, treina os músculos e melhora o estado geral.
Na associação do lipedema com excesso de peso, muitas vezes se verifica uma severa redução na capacidade de movimento. Nestes casos ainda é mais importante a existência de um instrumento com capacidade para aumentar o ritmo cardíaco e o sistema circulatório, sem exigir em demasia que se esteja de pé ou a caminhar. Conseguir eliminar calorias armazenadas de forma divertida e segura é também muito importante.
Não é necessário ir ao ginásio. O exercício com smovey pode ser praticado num parque, no jardim, na sala de estar etc.
O Smovey é muito divertido para praticar sozinho ou em grupo e as pessoas ficam surpreendidas com o que este pequeno aparelho pode alcançar e proporcionar.
Acrescido ao exercício habitual, a prática de smovey pode também ser uma mais valia para os desportistas.
É também de recordar o efeito que produz o lançamento dos anéis vibratórios sobre os músculos doridos.