uma em cada seis mil crianças nasce com linfedema

aqui tinha sido referido que uma em cada vinte pessoas sobre de linfedema. Cabe agora fazer um zoom nesta informação:

um apontamento compilado por Manuela

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afinal quem é perfeito?

Já tinha tido oportunidade de ver esta campanha que aconteceu numa das ruas mais movimentadas de Zurique. Hoje, ao voltar a cruzar-me com este trabalho desenvolvido  para a  pro infirmis,  resolvi incorporá-lo aqui, até porque nós, portadores de doenças linfáticas, também poderíamos ser um dos personagens deste pequeno filme..
Nós... ou qualquer outra pessoa: afinal quem é perfeito?


apontamento feito por:Manuela

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o abominável edema linfático


fotos extraídas da internet
é este o titulo que Jorge Silva Cruz, cirurgião vascular, escolhe para o seu post onde se pode ler que "o edema linfático, ou linfedema resulta da insuficiência ou obstrução da circulação linfática de um dos membros, levando a uma acumulação de linfa no tecido intersticial. Inicialmente o aumento de volume do membro (edema) é transitório, mas ao longo do tempo torna-se permanente e irreversível". Este cirurgião vascular termina o seu post alertando para a dificuldade no tratamento  e alerta que há medidas de prevenção que não podem ser esquecidas, como por exemplo os cuidados de higiene, exercício físico, drenagem linfática, entre outros).

Leia todo o post no blog "Falemos de Saúde...e não só!"

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Aprender sempre…

Aprender alguma coisa nova todos os dias , uma vez numa formação ouvi esta frase e fiz dela minha.

Como pessoa e como profissional sou uma sortuda, na verdade aprendo todos os dias alguma coisa e até na verdade tenho muitos dias em que são muitas as aprendizagens.

Aprendi a ser enfermeira e melhor pessoa com os meninos guerreiros do piso 6 (que lutavam diariamente contra a leucemia ou a insuficiência renal), com os seus pais e com as maravilhosas colegas

Cedo descobri que me realizo e me torno verdadeiramente útil com pessoas que lutam diariamente e que não desistem facilmente, a seu lado sinto-me forte e capaz de tudo.

Desde Setembro de 2013 passei a ter mais um privilégio na minha vida profissional, o de partilhar tudo o que sei com  verdadeiras lutadoras portadoras de linfedema. Com elas tenho aprendido e alimentado a minha vontade de todos os dias fazer mais e melhor. A sua motivação, persistência, confiança, partilha e carinho têm sido uma energia inesgotável.

O sorriso porque conseguem calçar botas, ou voltar a andar de bicicleta ou simplesmente o afastar para longe uma nova crise de erisipela faz com que me sinta verdadeiramente orgulhosa de fazer parte desta equipa.

Obrigada!

Enfª Rita

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Eu aprendi a conviver com o meu linfedema


imagem da internet
Tenho 47 anos e linfedema na perna direita desde os 20. O surgimento do linfedema foi um episódio da minha juventude que na altura nem avaliei bem, até porque o problema surgiu primeiro mitigadamente e só depois evoluiu. Na altura, mais do que preocupar-me com o incómodo ou as futuras consequências físicas do problema, preocupava-me o facto de as pessoas me questionarem sobre o aspeto que a minha perna tinha. Isto porque, inicialmente, não fiz qualquer alteração na minha forma de vestir, usava aquilo que me apetecia, e portanto o linfedema estava visível. Com o tempo deixei de usar saias. Inicialmente foi sobretudo para não ser indelicada com as pessoas que me questionavam sobre uma coisa que eu achava que apenas a mim dizia respeito mas depois tornou-se uma rotina que se revelou importante na gestão do problema físico.

Entretanto tive e tenho três filhos maravilhosos (hoje dois adultos e uma adolescente), os quais nasceram todos de parto natural (sem qualquer anestesia pois não precisei) e que, felizmente, nada “herdaram”. Tenho uma vida profissional que me permite viajar para perto e para longe com frequência, o que me dá imenso prazer. E tenho suficientes âncoras de felicidade na minha vida que me permitem, e sempre permitiram, viver com esta patologia sem me sentir limitada.

Na verdade não posso dizer que o linfedema tenha feito uma alteração enorme na minha vida. Acho que sou uma otimista, com tendência a ver sempre “o copo meio cheio” e portanto, de facto, considero que esta situação não teve impacto na minha vida familiar ou profissional.

É uma patologia incómoda?
Sim, mas tenho para mim que em nome da nossa saúde mental o melhor é aprender a viver com ela criando hábitos novos, adequados; no meu caso deixei de vestir saias, apenas uso calças, mais largas que o habitual (o que por vezes é difícil de conseguir comprar) e tomo de dois em dois meses injeções de penicilina para prevenir infeções da perna. Mas claro que diferentes manifestações do linfedema podem requerer outras adaptações.

Para mim, conclui, passados 27 anos sobre o aparecimento desta condição, o importante é perceber, com toda a certeza, que o linfedema não determina a minha vida e que há muita coisa e muita gente à minha volta que me torna feliz. E nunca, mas nunca, deixar de fazer o que me dá contentamento, porque a chave para o “insucesso”  da doença é contrariá-la com objetivos e sem me limitar. 

O que digo apenas expressa a minha convicção de que um linfedema, pelo menos num caso como o meu, não é um obstáculo, pois hoje com 47 anos continuo a achar, como quando tinha 20, que este é apenas um episódio da minha vida, a qual tem felizmente muitos outros, e portanto o balanço que faço não é de sofrimento mas sim de aprendizagem de uma “saudável convivência” entre mim e o linfedema.

Ana d.
linfedema primário


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A importância da entre-ajuda


a história de Bob e Linda Carey

Rir e fazer rir, perante as adversidades que temos por garantidas nesta vida, é sem dúvida um remédio de resultado garantido e se aliarmos a isso o sentimento mais puro, então há montanhas que podem ser movidas.

Hoje fiquei retida na história de Bob Carey, fotógrafo de profissão que, ao tomar conhecimento que a mulher sofria de cancro da mama, resolveu pegar na sua máquina fotográfica e fazer-se fotografar vestido, única e exclusivamente, com um tutu cor-de-rosa

Poderão achar que a atitude deste fotógrafo é ridícula, mas, este gesto de amor profundo, que é também uma forma pessoal de reagir à adversidade, fez com que a sua mulher, Linda, pudesse não se sentir sozinha quando observava as fotos na sala de tratamentos, e, ao partilhar as fotos do seu marido com as pacientes que estavam na sua sala, Linda conseguiu um sorriso coletivo, uma identidade comum e que aqueles momentos de tratamento tivessem uma sensação de que o tempo passava mais depressa.

Linfedema é uma das consequências, quase que inevitáveis, das pessoas que têm intervenção cirúrgica, após o diagnóstico do cancro da mama, por isso esta história cabe aqui.

O diagnóstico de Linda aconteceu em 2003 e, desde então, este casal sentiu que a sua história tem de ter um reflexo nos outros, por isso criaram “the tutu project”.

Pessoalmente, como já sabem, não concebo o mundo sem a crucial entre-ajuda e a fundamental partilha nas adversidades.

Não sabemos como vai acabar a história de Linda e Bob. Mas sabemos que houve lugar à partilha, à entre-ajuda e não houve medo do ridículo para o fazer o outro (sor)rir…  e isto faz sem dúvida toda a diferença.




história contada por: Manuela
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