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Lipedema? Uma pequena referência …

É recorrente receber no meu trabalho pessoas com Lipedema. Esta doença crónica do tecido adiposo que resulta de uma alteração patológica nas células gordas do organismo ainda não é muito conhecida. Afeta essencialmente as pernas, ancas e braços e pode ser muito limitadora na vida da pessoa que sofre dela. O Lipedema pode ser hereditário e surge independentemente do peso (desde pessoas com baixo peso como pessoas com obesidade mórbida). Tem como característica de que os pés normalmente não apresentam o edema.

A alteração das células gordas e consequentemente os distúrbios da função capilar provocam o acúmulo de líquido, tornando os doentes muito sensíveis à dor por pressão e toque. Inicialmente não há danos no sistema linfático, mas com a evolução da doença há maior probabilidade do aparecimento de edemas, podendo ainda surgir linfedema.

fonte
Na fisioterapia, a drenagem linfática manual surge como primeira medida para aliviar os sintomas e ajudar a diminuir o volume. No entanto, é essencial que haja uma reeducação alimentar e exercício físico regular (idealmente com uso de meias de compressão). Normalmente, no verão os doentes com Lipedema sentem piorias ao nível da sensação de pernas cansadas e edema e, portanto, é essencial não descuidar da fisioterapia (drenagem linfática manual, pressoterapia, compressão, entre outras técnicas). 

Texto: 
Fisioterapeuta

Uma unha encravada pela primeira vez!!!



O meu filho, Tiago Gonçalves, tem 8 anos e tem linfedema primário, no membro inferior esquerdo, foi-lhe diagnosticado quando ainda era muito pequeno. 

Todos sabemos do incómodo que é uma unha encravada, mas se tens linfedema isso é um problema ainda muito maior.

E agora, pela primeira vez…estava com uma unha encravada!!!

E agora , o que fazer?...
 
O edema aumentou mesmo antes de nos apercebermos que a unha estava encravada… o Tiago tinha dor ao andar e um risco enorme de infecção. 

Partilhei a minha ansiedade com uma amiga, também ela com linfedema e que já percorreu este caminho. O conselho que me deu foi muito claro: 

Tem de ir a um podologista – disse-me

O Tiago estava com receio, tinha medo que lhe fosse doer. Mas, rapidamente descontraiu. Ao deitar-se na marquesa, a podologista brincou com ele… … disse-lhe, logo nos primeiros momentos, que uma parte da “maldade” já estava! O meu filho ficou rapidamente tranquilo e percebeu que não fazia falta ter medo. 

Esta preocupação de o fazer descontrair logo no início levou a que, a podologista, conseguisse fazer o procedimento sem que o Tiago o sentisse. E, a explicação didática que fez, a segurança e rapidez com que o executou o procedimento transmitiu tranquilidade, anulou o susto ou medo no meu filho. 

No mesmo dia o edema diminuiu e a dor passou.


texto de Carminda
mãe do Tiago Gonçalves
26 junho 2019


I Encontro Participação dos cidadãos no Serviço Nacional de Saúde

A Ministra da Saúde reconheceu que a “ voz dos doentes, ainda que muitas vezes incómoda, traz consigo uma ajuda importante para o nosso trabalho de resolução de problemas”.  Assim, considerou que quanto “maior o debate, a troca de ideias, melhor será o conhecimento das necessidades locais e regionais e melhor será a resposta do SNS”. (sic)

Alzheimer Portugal
Associação Nacional de Doentes Linfáticos
Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla


O I Encontro relativo à Participação dos Cidadãos no SNS permitiu um amplo debate em torno das questões que preocupam as várias associações de doentes. Contou, também, com a moderação e os contributos de José Pereira Miguel, de Henrique Barros, e de Sofia Crisóstomo (sic)



A andLINFA esteve na Escola Secundária Miguel Torga

A convite da Escola Secundária Miguel Torga,   a andLINFA teve oportunidade de falar, sobre lipedema e linfedema, a  alunos do curso Técnico Auxiliar de Saúde. 

As patologias, a actividade da ANDLinfa, os testemunhos na primeira pessoa e  a situação nacional perante a doença foram o motivo para um  diálogo fluido  entre um excelente grupo de alunos interessados que, durante duas horas, interagiram com a Enf Rita Marques e Manuela Lourenço Marques, a que se juntou Maria João Carapinha, docente naquela Escola, também ela portadora de linfedema primário.



Primeiro estranha-se, mas depois entranha-se! | Nordic Walking

A minha experiência com Nordic Walking!

Sábado, 18 de Março, com a iniciativa da ANDLinfa, apoio da Plataforma Saúde em Diálogo, e parceria da Escola Superior de Desporto de Rio Maior, realizou-se mais uma atividade em prol da saúde e bem estar, orientada por Afonso da Costa, da ESDRM, que tão profissionalmente explicou a técnica da Nordic Walking.

Rodeados pela paisagem do Parque Natural da Ria Formosa, em Faro, pouco passava das 9h da manhã quando o Afonso distribuiu os devidos bastões pelos participantes, mesmo à entrada do Ludo, local frequentado por amantes do desporto e da natureza. 

Já dizia o ditado: Primeiro estranha-se, mas depois entranha-se! 

Com o stress do dia a dia, já pouco reparava na minha postura e na existência de alguns músculos do corpo, que se fizeram perceber ao longo da manhã. Senti o corpo todo a trabalhar e a mente a relaxar!  Não imaginava que uma caminhada com bastões pudesse ser tão desafiante a nível físico e tão descontraído a nível emocional.

Obrigada pelos ensinamentos e esforços que tornarem isto possível! 

maio 2019


Emanuela, 34 anos anos, lipedema... lipoaspiração



Sou a Emanuela e tenho 34 anos.

As minhas dores e desconforto nas pernas começaram pela altura da adolescência,sendo que nessa altura ocorria só na semana da menstruação.

A partir dos 26 anos comecei a ganhar peso muito facilmente, justificado pelas mudanças normais da idade.

Comecei a preocupar-me mais com o que comia e a tomar os devidos cuidados.
Já nesta altura sentia muita fadiga, dores pelo corpo e um conjunto vasto de sintomas justificados após várias especialidades pela síndrome de Fibromialgia.
Fiz várias terapias, bem como regime para perca de gordura, mas cheguei a um ponto que estagnei.

Os sintomas da Fibromialgia foram sendo controlados ao longo dos anos e estabilizaram com ajuda de várias especialidades incluindo controlo hormonal, permitindo-me recuperar qualidade de vida.

No entanto, as dores das pernas intensificaram-se nos últimos 2 anos, sendo que no verão era uma tortura, pois o edema também era mais evidente. Ajudou alguns métodos para reduzir a retenção líquidos, mas algo não estava bem. Sentia que as minhas pernas estavam maiores, transformaram-se em “troncos” grossos, joelhos deformados e tornozelos que não tinham coragem de andar à vista, sempre escondidos atrás de calças largas.

Num dos grupos Fibromialgia, uma senhora partilhou que tinha recebido o diagnóstico lipedema relativo às pernas. Imediatamente fui pesquisar o que era e identifiquei-me com o que li.

Colocava as culpas das dores na Fibromialgia, mas muitas pessoas que conheço com a síndrome, não tem pernas grossas assim, pelo que abriu-se uma luz que poderia estar a sofrer do mesmo.

Passo seguinte foi procurar um especialista que pudesse confirmar o diagnóstico. Já tinha ido a 2 médicos de cirurgia vascular que apenas me recomendavam emagrecer primeiro nas pernas.

Encontrei a ANDLinfa que prontamente me indicou um especialista com conhecimento de lipedema.

Fez-me um estudo venoso e excluiu a possibilidade de problemas venosos, mas que com o lipedema na fase inicial do estágio 2, era recomendado travar a progressão de modo a evitar problemas futuros a nível vascular e linfático.

Deu-me o devido seguimento para a colega de cirurgia plástica que já tem tratado mais pessoas com lipedema.

Infelizmente, atualmente o SNS nem seguradoras comparticipam a cirurgia dado ser uma lipoaspiração considerada embelezamento estético, não se prevendo alterações a curto prazo na legislação.

Dado estar num dos estágios iniciais, no meu caso, uma cirurgia regredia a maior parte do problema, decidi avançar com recursos financeiros próprios.

Hoje, ao fim de 6 semanas após a lipoaspiração, e respectivos tratamentos de fisioterapia, estou muito contente, sem dores e bastante satisfeita por ter decidido avançar.

Há alguns cuidados que se deve manter, mas recuperei bastante qualidade de vida, mobilidade, energia e auto-estima.

Emanuela Ezequiel
lipedema

No Canal Saúde + falou-se de Linfedema

No passado dia 11 de março, tendo como base o Dia Mundial do Linfedema, a andLINFA teve a oportunidade de estar no programa Saúde em Dia, do Canal Saúde+. O linfedema foi o tema daquele programa e para acompanhar a Associação esteve o cirurgião vascular João Vieira.

Aqui pode ouvir o que foi referido no Programa Saúde em Dia.











Lipedema - Conversas entre Doentes

Iniciaram, em Faro, as primeiras conversas entre doentes com lipedema. 

Esta iniciativa da ANDLinfa|Associação Nacional de Doentes Linfáticos, na pessoa da sua associada Elisabete Flor, pretende, de uma forma informal, estimular o dialogo entre doentes, onde a partilha dos seus medos e das suas vitórias se pretende constante.

A ANDLinfa|Associação Nacional de Doentes Linfáticos conta com a colaboração da Plataforma Saúde em Diálogo, bem como de profissionais que, também informalmente se juntarão à conversa.

Estas reuniões irão acontecer uma vez por mês,  sendo que à próxima conversa, 12 de abril, se juntará a Psicóloga Clínica Alda Martins, e os "Desafios Emocionais" serão o tema a abordar.

Se tem ou julga ter lipedema e reside em Faro esta é uma excelente oportunidade. Se não reside naquela cidade mas também quer participar nesta iniciativa contacte info@andlinfa.pt e decerto será bem recebida pelo grupo. Esta semana foi Braga que veio até Faro, graças às maravilhas da tecnologia.



Alimentação Mediterrânica no Linfedema

Maria Palma Mateus,
nutricionista
docente da Escola Superior de Saúde
Universidade do Algarve
A nutrição pode contribuir para prevenção e/ou controlo dos fatores de risco associados ao desenvolvimento de Linfedema, nomeadamente, o controlo do peso corporal e do estado pró-inflamatório e pró-oxidante que parecem estar associados ao linfedema. 

A implementação de hábitos alimentares saudáveis que contribuam para promover a redução do peso, em caso de excesso de peso ou obesidade, ou para a sua manutenção, caso o peso esteja adequado, e que atenuem as situações inflamatórias e pró-oxidantes, pode ter um papel determinante na melhoria da sintomatologia associada a esta patologia. Nesse sentido, a intervenção nutricional mais adequada a esta situação clínica, será a adoção de uma dieta anti-inflamatória, rica em nutrientes com potencial anti-inflamatório e antioxidante e reduzida em alimentos pró-inflamatórios e promotores de stress oxidativo.

Um dos padrões alimentares mais estudados e que nos é muito próximo é a alimentação mediterrânica, associada à Dieta Mediterrânica (estilo de vida dos países que circundam o Mediterrâneo ou que por ele são influenciados, como é o caso de Portugal). É reconhecida pela Organização Mundial de Saúde como um “forma de comer” saudável e sustentável, considerada como um importante fator preventivo de desenvolvimento de várias doenças e protetor da saúde humana.

Para este reconhecimento, contribuem em muito, as suas características nutricionais e propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes.
A alimentação mediterrânica tem por base o consumo diversificado de produtos vegetais frescos, de produção local e da época. Promove o azeite como gordura principal e os preparados culinários simples como a sopa e a “comida de panela”, onde todos os ingredientes se reúnem em cru, ou se juntam a um refogado leve. 

As leguminosas como o feijão, o grão ou a ervilha estão presentes com regularidade bem como o pão de qualidade. Acompanha-se com água em todos os momentos e vinho, ocasionalmente, e de forma moderada, às refeições principais. 

Como praticar uma alimentação mediterrânica:

  • Faça no mínimo três refeições principais – pequeno-almoço, almoço e jantar, intercaladas com pequenos lanches, de modo a não estar mais de 3,5 horas sem comer. Fazer pequenas refeições a horas certas, várias vezes ao dia, ajuda a controlar a quantidade de alimentos que se consome a cada refeição.
  • Dê preferência a cereais pouco refinados como pão de mistura ou integral, arroz integral ou vaporizado, massas de trigo duro e couscous. Estes alimentos são excelentes fontes alimentares de amido (principal fonte de energia do organismo), fibra, vitaminas do complexo B e minerais (magnésio, fósforo, cálcio, ferro,…).
  • Consuma produtos hortícolas em abundância, de diferentes cores e texturas, ao almoço e ao jantar, na sopa e no prato, para garantir o aporte diário de fibra, de vitaminas, de minerais e de substâncias antioxidantes.
  • Consuma diariamente uma a duas peças de fruta. Faça da fruta a sua sobremesa preferida. Os produtos hortícolas e fruta são muito ricos em substâncias protetoras com elevado potencial.
  • Beba bastante água durante todo o dia. Em alternativa, beba infusões de ervas (tília, cidreira, camomila, lúcia-lima,…) ou chá sem açúcar. Outras bebidas não açucaradas e sopas com pouco sal e gordura constituem também excelentes formas de hidratação.
  • Dê preferência ao azeite para cozinhar e temperar os alimentos. Apesar de ser uma excelente gordura consuma com moderação dado o seu elevado valor calórico.
  • Evite o consumo de sal em excesso. Substitua o sal por ervas aromáticas (salsa, coentro, louro, tomilho, manjericão, orégãos,…), quantidades moderadas de especiarias (cravinho, noz-moscada, cominhos,…), cebola e alho. Não use sal de mesa e evite aperitivos salgados.
  • Inclua pequenas quantidades de azeitonas, nozes e amêndoas, figos secos, tremoço e sementes na sua alimentação diária. (Prefira estes alimentos com a menor quantidade possível de sal.) Ricos em gorduras insaturadas, proteína de origem vegetal, vitaminas, minerais e fibras. Em pequenas quantidades, podem constituir um lanche, em alternativa, a produtos alimentares ricos em gorduras saturadas e açúcar como os croissants, bolos e bolachas, entre outros.
  • Modere o consumo de vinho e/ou cerveja e faça-o apenas às refeições principais (1 copo pequeno, por dia, para as mulheres e 2 copos pequenos, por dia, para os homens). Evite o consumo de bebidas destiladas como aguardentes, licores e whisky.

  • Inclua nas refeições principais:
  • Pescado, duas ou mais vezes, por semana; carne de aves e coelho, duas vezes por semana; e ovos (dois a quatro, por semana) - inclui os ovos utilizados em preparações culinárias). Estes alimentos fornecem proteína de excelente qualidade com um baixo teor de gorduras saturadas. O pescado é ainda rico em ácidos gordos polinsaturados ómega 3, com propriedades anti-inflamatórias.
  • Leguminosas secas e frescas (feijão, grão-de-bico, lentilhas, chícharo, fava, ervilha), mais de duas vezes, por semana. Combine as leguminosas com cereais (arroz, massa, couscous,…) ou com batata/batata-doce, e obtenha uma excelente fonte de proteína vegetal com baixo teor em gordura.
  • Carnes vermelhas, reduza o seu consumo para uma a duas vezes por semana e carnes processadas (fiambre, enchidos, presunto e outros produtos de charcutaria) menos de uma vez por semana, e em pequenas quantidades. Estes alimentos apresentam um teor elevado em gorduras saturadas.


  • Pratique uma culinária rica em sabores e aromas e pobre em gorduras.
Prefira as sopas ricas em produtos hortícolas e leguminosas, os ensopados, os estufados, as caldeiradas e os assados com pouca gordura. Evite os refogados e os fritos. Poupe no sal e abuse na simplicidade e na variedade das suas refeições. Use a sua imaginação!

Redescubra as nossas tradições alimentares e pratique um estilo de vida saudável, faça refeições em família, conviva com os seus amigos à volta da mesa e seja ativo.


Nutricionista, 
docente no Curso de Dietética e Nutrição da Escola Superior de Saúde da Universidade do Algarve

Linfedema é noticia - #185 Algarve Informativo

Foi na edição do passado dia 12 de janeiro, da revista Algarve Informativo, que a Primeira Reunião no Algarve sobre linfedema  voltou a ser noticia. A leitura de todo artigo sobre o evento pode ser feita aqui.

O Algarve Informativo é uma revista semanal e o número 185 está disponível on line (o artigo sobre o evento que aconteceu em Faro encontra-se nas páginas 106 a 111)


Primeira reunião no sul do país - Linfedema

1ª Reunião no Algarve sobre Linfedema
Teve lugar no passado dia 24 de Novembro de 2018, na Universidade do Algarve, a primeira reunião sobre linfedema no sul do país.

Abriram os trabalhos, a Presidente e fundadora da Associação Nacional de Doentes Linfáticos (ANDLinfa) e o coordenador cientifico do evento, Dr. Pedro Amorim. Na mesa de abertura esteve ainda a Plataforma Saúde em Diálogo, na pessoa da Dra Alda Martins, como parceira nesta reunião cientifica.

Os trabalhos prosseguiram sob a moderação do cirurgião vascular J. Pereira Albino e da Presidente da ANDLinfa, Manuela Lourenço Marques.

A primeira parte contou com a presença de vários profissionais de saúde, que vieram mostrar o peso significativo do correcto diagnóstico de um Linfedema. 
Reafirmando a importância de uma equipa multidisciplinar, o Dr.Pedro Amorim explicou-nos a diferença de um Linfedema Primário e Secundário, assim como nos chamou a atenção do perigo da combinação desta doença com factores como a Obesidade Mórbida.

Seguiu-se o Dr. João Vieira, especialista de Angiologia e Cirurgia Vascular, que nos facultou informações úteis para uma melhor avaliação qualitativa do edema.

Já o cirurgião vascular Gonçalo Queiroz de Sousa, explicou o impacto de exames médicos, essenciais para um correcto diagnóstico, tal como o Eco Doppler. 

Pós coffe break, foi a vez das doentes Manuela Lourenço Marques e Rita Galvão, partilharem a experiência renovadora, que vivenciaram juntas, semanas antes, na Clínica Földi na Alemanha, pioneira em Linfologia Moderna.

Tal como um correcto diagnóstico e tratamento preventivo, é fundamental uma alimentação cuidada para a a qualidade de vida de qualquer pessoa, seja ela doente de Linfedema ou não, por isso mesmo, a Nutricionista Luísa Geada e Prof Doutora Maria Palma Mateus, vieram falar dos mitos e conceitos de muitas dietas das populares revistas cor de rosa, priorizando os benefícios de uma alimentação mediterrânica, com os devidos cuidados de ingerir alimentos anti-inflamatórios que ajudam na não evolução do edema. 

É inevitável falar também da dificuldade de um doente com Linfedema em aceitar-se tal como é, levando na maioria das vezes a casos de depressão, causados pelo mal estar psicológico. O acompanhamento da família e de um especialista na matéria como referiu a Dra. Alda Martins, tem um impacto bastante positivo no sucesso de tratamento. 
Este mal estar psicológico ocorre muitas vezes após o aparecimento de outras situações, tais como as feridas dolorosas no edema, que se não forem devidamente tratadas, levarão a problemas mais graves. Os enfermeiros tem então um importante papel no seu tratamento, tal como referiu a  Enfermeira Rita Marques, contribuindo assim para o conforto e melhoria da qualidade de vida. 

O  Doutor. Eng. Carlos Gonçalves cuidadosamente nos explicou e de uma forma clara, o projecto de uma manga de compressão, que faz a drenagem linfática com a devida pressão a aplicar, aos membros superiores.

A atleta e Fisioterapeuta Sara Rosado, desmistificou o tema do exercício físico no Linfedema, evidenciando a sua importância para uma melhor mobilidade e bem estar físico do paciente.

A  Dra. Catarina Hadamitzky, que exerce clínica na Alemanha, exemplificou diferentes métodos cirúrgicos no tratamento de edemas, evidenciando a importância da distinção de doenças tais como a Obesidade e o Lipedema, para o sucesso deste tratamento.

Os trabalhos daquela manhã foram encerrados pelo Dr J. Pereira Albino e pela Presidente da ANDLinfa com a conclusão inequívoca de ter sido uma manhã pioneira mas também de importante reflexão que deverá ser continuada, num futuro que se gostaria de ver muito próximo.

A esta reunião assistiram mais de 70 participantes, entre eles especialistas de saúde e pacientes de Linfedema e/ou outras patologias. 

De notar ainda, a preciosa ajuda de voluntárias, parceiros e apoios, que  contribuíram para o sucesso deste evento.

o programa pode ser consultado neste link
E o video do evento está disponivel aqui




Texto :Elisabete Vasconcelos
associada da ANDLinfa 

20 anos da Plataforma Saúde em Diálogo

Ontem a ANDLinfa|Associação Nacional de Doentes Linfáticos participou nas comemorações dos 20 anos  da Plataforma Saúde em Diálogo, a quem se associou em 2017.

Este aniversário teve, durante a tarde, a inauguração de um espaço de coworking  e de uma resposta de alojamento, para os doentes que se deslocam à capital para tratamentos.

A celebração terminou com um jantar, onde todas as cinquenta e três associações congregadas na Plataforma foram convidadas a confraternizar e a quem se juntaram todos os que ao longo destes 20 anos estiveram juntos numa causa comum.

A ANDLinfa fez parte do painel de oradores

A ANDLinfa|Associação Nacional de Doentes Linfáticos esteve presente nas VIII Jornadas Médico Ativo Paciente Ativo, que tiveram lugar no passado sábado, 17 de nov, na Universidade Lusófona. A partilha da sua experiência na área do Nordic Walking, onde foi impulsionadora, foi o tema escolhido para esta expor a uma plateia médicos e estudantes de medicina.

Estas jornadas, que têm como público alvo os médicos e os estudantes de medicina são uma iniciativa do clube Clínica das Conchas


Médico Ativo Paciente Ativo

A ANDLinfa|Associação Nacional de Doentes Linfáticos vai ser um dos oradores, nestas Jornadas, para partilhar a sua vivência nas caminhadas de Nordic Walking que tem organizado

ver aqui


O meu nome é Rita

O meu nome é Rita, tenho 30 anos e há 12 que o meu sistema linfático achou que já tinha dado o seu melhor e fez shut down.
Sofro de linfedema primário unilateral.
Confesso que não é fácil e cada dia é um dia.

Aos 18 anos a minha perna esquerda começou a inchar, de manhã estava bem mas ao final do dia havia algum inchaço. A situação manteve-se e recorri a diversos médicos de diversas especialidades, diversos exames foram feitos. Ninguém sabia do que se tratava…

Certo dia, já em desespero, numa consulta de cirurgia vascular, o médico disse: “Tens um linfedema e isso é crónico”.
Linfedema?! O que é isso? Crónico?! Como assim?

Aprendi a “viver” com “aquilo”, sem saber bem o que era ou o que não era. Tinha 18 anos e o que queria era viver a minha juventude, uma perna inchada era secundário, até que…
Veio uma erisipela e foi horrível. Febres muito altas, dores dilacerantes e a perna nunca mais voltou ao normal.
Fiz alguns tratamentos, uma ou duas vezes por semana, mas não tinha grande paciência para aquilo e a minha vida tinha de continuar, sem grandes cuidados da minha parte mas também sem grande acompanhamento e sem a mínima noção das repercussões do linfedema no meu futuro. 
Aos 23 anos estava grávida e a minha perna atingiu um volume que eu nunca
tinha imaginado possível. Fui encaminhada pelo médico de família para cirurgia vascular com urgência e tive a minha consulta cerca de 18 meses depois!

A “urgência” entretanto já tinha nascido, e era um bebé lindo, mas o linfedema agora de tamanho descomunal mantinha-se, comecei então a ter mais acompanhamento e meias de contensão. Faço tratamentos, num hospital público, sensivelmente de 6 em 6 meses e tenho à minha volta profissionais com um coração enorme mas a minha perna precisava de mais e eu também.

Estou em Földi há uma semana.
É um mundo de conhecimento, completamente à parte no tratamento. É muito duro e cansativo, mas a minha perna, em apenas uma semana, está a adorar e eu também.
Vamos aguardar as 3 semanas que faltam para ver o resultado final, sabendo de ante mão que não será o fim mas sim o início de um novo lidar com o meu linfedema.
Rita Galvão
Hinterzarten, 20 de Outubro de 2018, 08:00
07:00 em Portugal Continental


Um mês de idade, doença de Milroy

Na Revista Nascer e Crescer, ano 2017, Catarina Neves, do Hospital de Pediátrico de Coimbra, Nádia Brito e Lourdes Mota, do Serviço de Pediatria do Hospital da Figueira da Foz partilham um caso clínico:
"Um menino de 1 mês de idade, previamente saudável, foi internado com recente edema firme da perna esquerda e pé e hidrocele bilateral.
Nenhum sinal de godet, outros sinais inflamatórios ou limitação articular. Ele tinha dedos sobrepostos e mudanças tróficas de unhas dos pés. Aos 5 meses de idade fez edema semelhante no pé direito. A bisavó teve edema bilateral nos membros inferiores desde a infância. Isso é consistente com uma doença de Milroy. Posteriormente, ele precisava de internações por celulite. O ultra-som não revelou alterações vasculares. Nenhuma mutação foi encontrada no gene FLT4. Começou a drenagem linfática com melhoria clara. Actualmente está clinicamente estável."

NASCER E CRESCER - BIRTH AND GROWTH MEDICAL JOURNAL year 2017, vol XXVI, n.º 1

Ectasia de vasos linfáticos

Sem grande motivo aparente, começaram a aparecer, nas minhas pernas, algumas "borbulhas" que permaneciam. Numa consulta de rotina de cirurgia vascular o meu médico determinou que aquelas "borbulhas" deveriam ser analisadas mais detalhadamente. E, em 2006, fiz uma biopsia que afastou algumas suspeitas, tendo sido relatado que se tratava de ectasia de vasos linfáticos. A ectasia é a dilatação patológica, neste caso, dos vasos linfáticos.

A minha linfangiectasia foi proliferando, aqui e ali, estando no momento estabilizada, o uso diário das meias de compressão é sem dúvida uma ajuda preciosa.

2006




























ano 2007

ano 2007


Manga de Compressão Activa para o Tratamento do Linfedema dos Membros Superiores

Acredito na capacidade técnica dos portugueses.
Carlos Gonçalves está a fazer o doutoramento na Universidade do Minho a sua ideia foi a mais inovadora das ideias incubadas durante dez semanas no Startup Nano, o primeiro programa nacional de aceleração e incubação para startups na área da nanotecnologia (sic). 

Ao ler esta noticia, nos orgãos de comunicação social, não poderia ficar indiferente  e foi com muito prazer que falei com este engenheiro, empenhado em encontrar uma uma resposta para esta patologia.

Queria ter publicado este texto de imediato, mas circunstâncias que em nada têm a ver com a disponibilidade e simpatia de Carlos Gonçalves só agora o faço, agradecendo publicamente o seu testemunho e o seu empenho.

Eis o texto que Carlos Gonçalves me enviou:

Manga de Compressão Activa 
para o Tratamento do Linfedema dos Membros Superiores

Carlos Gonçalves
investigador
O desenvolvimento de uma manga de compressão activa para o tratamento do linfedema dos membros superiores surge numa parceria entre o Centro de Nanotecnologia e Materiais Inteligentes (CeNTI), a Universidade do Minho (UM), o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) e Massachusetts Institute of Technology (MIT). 

O linfedema dos membros superiores é uma patologia caracterizada pela acumulação de linfa no braço. Esta patologia surge normalmente como uma consequência do tratamento do cancro da mama, embora possa também ser causada por queimaduras da pele ou infeções do sistema linfático. O estiramento da pele provocado pela acumulação de linfa é doloroso e impossibilita a execução de movimentos simples associados a tarefas diárias como por exemplo higiene pessoal ou alimentação. Desta forma, o tratamento eficaz desta doença torna-se premente.

Hoje em dia, o tratamento do linfedema dos membros superiores é feito com o recurso a massagens de drenagem linfática e mangas de compressão passivas. As massagens de drenagem linfática, ao contrário das massagens musculares, são massagens superficiais em que as forças exercidas não devem ultrapassar a pressão de 30 mmHg. Desta forma, a linfa é gentilmente conduzida aos canais linfáticos sem o aparecimento de hematomas, o que seria prejudicial ao tratamento. A mangas de compressão passivas são utilizadas no tratamento desta patologia com o intuito de evitar o retorno exagerado da linfa aos membros superiores após a drenagem efectuada com a massagem de drenagem linfática. Por vezes são utilizadas mangas insufláveis para o tratamento desta patologia.

A manga de compressão activa desenvolvida possui a capacidade de mimetizar as massagens de drenagem linfática. Os sensores e os actuadores embebidos num substrato têxtil configuram cinco estágios de compressão responsáveis por aplicarem pressões não superiores a 30 mmHg. Os estágios de compressão são controlados por uma pequena placa de circuito impresso que é alimentada por uma bateria semelhante à bateria de uma telemóvel, o que torna o dispositivo portátil. A portabilidade do dispositivo permite que este seja utilizado no dia à dia por baixo de peças de roupa, o que previne qualquer tipo de estigma associado ao tratamento. Os estágios de compressão são activados sequencialmente desde o pulso até ao ombro onde estão localizados os canais de drenagem linfática. 

O dispositivo desenvolvido não vem substituir fisioterapeutas no tratamento do linfedema dos membros superiores, mas sim complementar todas as terapêuticas utilizadas tendo em vista uma recuperação mais rápida e duradoura dos pacientes.

texto de:
Carlos Gonçalves

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